Marcelo declara "aliança geopolítica" com Letónia e defende UE como "poder global forte"
13 de abr. de 2023, 17:26
— Lusa
"A
Europa tem de emergir, a União Europeia, como um poder global forte,
caso contrário perdemos esta oportunidade – sempre em cooperação com os
Estados Unidos da América, com a relação transatlântica", declarou,
referindo-se ao futuro quadro geopolítico pós-guerra na Ucrânia.O
chefe de Estado discursava em inglês, num hotel de Lisboa, na sessão de
encerramento de um fórum empresarial, em que participou em conjunto com
o seu homólogo da Letónia, Egils Levits, que se encontra em Portugal em
visita de Estado.Perante o Presidente da
Letónia, Marcelo Rebelo de Sousa apelou ao fortalecimento das relações
comerciais bilaterais, considerando que é preciso "fazer muito mais", e
propôs uma cooperação no setor da energia, aproveitando a posição
geográfica e ligações energéticas dos dois países: "Vocês trabalharão no
norte, nós trabalharemos no sul".Segundo o
chefe de Estado português, Portugal e Letónia vivem "uma fase de
aliança geopolítica" e são países "muito semelhantes", embora distantes:
"Vocês estão numa posição geoestratégica muito importante, no nordeste
da Europa, e nos no sudoeste da Europa. Ambos tendo uma dimensão
universal, enquanto plataformas entre continentes, culturas e pessoas".Marcelo
Rebelo de Sousa realçou que ambos pertencem à União Europeia à NATO e
referiu que Letónia e Portugal têm candidaturas a lugares de membro
não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas,
respetivamente, nos biénios de 2026-2027 e de 2027-2028.Sobre
o atual quadro internacional com a guerra provocada pela invasão russa
da Ucrânia, "ninguém sabe por quanto tempo", o Presidente da República
considerou que esta é "uma guerra global" que "vai mudar a balança de
poderes"."Os Estados Unidos da América vão
continuar um superpoder, a Rússia sairá da guerra como entrou, mas mais
fraca, como poder regional, já não um poder global", prosseguiu. "E a
China irá emergir, a dominar economicamente a Rússia nalguns setores",
anteviu.Foi neste contexto que Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a União Europeia tem de emergir como "poder global forte"."E
esperamos que a Índia emerja quando assim quiser, mas que outros países
possam também emergir: A África do Sul, resolvendo problemas internos, e
o Brasil, resolvendo uma divisão que está realmente a partir a
sociedade brasileira", acrescentou.No
início da sua intervenção, o chefe de Estado mencionou que Portugal
reconheceu a soberania e estabeleceu relações diplomáticas com a Letónia
em 1921: "Foi o começo de um longo caminho. E esta primeira fase foi
difícil para vocês. Mas contaram sempre connosco, nunca reconhecemos
nenhum poder dos invasores e sempre mantivemos respeito pela vossa
soberania, durante décadas da vossa vida".Depois,
salientou o acordo bilateral entre governos sobre promoção e proteção
mútua de investimentos assinado em 1995 e apontou as importações e
exportações como ainda muito baixas.No seu
entender, devem primeiro ser intensificadas nas áreas em que já há
trocas comerciais, "produtos agrícolas e equipamentos, papel, roupas,
calçado", mas também noutros setores.Marcelo Rebelo de Sousa destacou o setor da energia, que "faz a diferença" para a independência económica.O
chefe de Estado português esteve na Letónia em setembro de 2018 para um
encontro informal do Grupo de Arraiolos, que reúne presidentes não
executivos de países da União Europeia.