Marcelo considera que teve menos mérito ao chegar a Presidente do que Cavaco e Eanes
27 de out. de 2017, 19:20
— Lusa/AO online
Numa conversa com alunos do 6.º ano da Escola Básica e Integrada Gaspar Frutuoso, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores,
o Presidente da República defendeu que é preciso "lutar para que haja
maior igualdade de oportunidades" em Portugal, e que essa "é uma grande
luta". Falando do seu caso pessoal, afirmou: "Eu parti de uma
linha de partida muito favorecida. Portanto, tem menos mérito eu chegar a
Presidente da República do que teve, por exemplo, o Presidente Cavaco
Silva, que partiu de um ponto de partida pior do que o meu, ou o
Presidente Eanes". "Mas o Presidente Mário Soares e o Presidente
Jorge Sampaio partiram de uma linha muito próxima daquela de que eu
parti", acrescentou. Marcelo Rebelo de Sousa, que falava em
resposta a uma aluna que lhe perguntou se pensa que há igualdade de
oportunidades entre os portugueses, respondeu-lhe que não, e disse que
tem "sempre presente" que ao longo da vida foi "sempre privilegiado". Segundo
o chefe de Estado, "quem é privilegiado tem o dever de dar mais do que
os outros, é socialmente inaceitável, é um escândalo que quem mais
recebe não dê mais". Dirigindo-se para os alunos, acrescentou:
"Na vida, vocês têm de conseguir trabalhar para que, quando um dia
houver uma corrida, possam partir todos da mesma linha de partida". Na
sua intervenção inicial, sobre cidadania, Marcelo Rebelo de Sousa
apelou à participação cívica e à entreajuda, dizendo que "ninguém é
feliz sozinho, ninguém". Depois, no período de perguntas e
respostas, descreveu longamente o seu dia a dia como Presidente da
República e contou que adora jantar queijo com tomate, rúcula e azeite
balsâmico e que a família, em particular a filha, Sofia, se queixa das
suas ausências. O chefe de Estado contou ainda que gosta de
fazer e desafazer as malas, de dormir em lugares diferentes e que
prefere os quartos mais pequenos para não desperdiçar tempo de um lado
para o outro, e que faz questão de ir às compras quando pode. "Para
saber o que é que pensam os meus fornecedores do estado do país, o que é
importante. Se não, o Presidente só ouve políticos, e os políticos
dizem-lhe sempre aquilo que ele já está à espera que eles digam.
Normalmente, não há surpresas. É muito raro um político dizer uma coisa
surpreendente, justificou.