Marcelo considera que divergência entre BE e Governo não põe em causa estabilidade
28 de nov. de 2017, 17:43
— Lusa/AO online
Em
declarações aos jornalistas no Terreiro do Paço, em Lisboa, antes de um
passeio de elétrico com a Presidente da Confederação Suíça, Marcelo
Rebelo de Sousa disse que o que se passou no debate do Orçamento do
Estado para 2018 entre BE e Governo não o preocupa."Não
me preocupa. Há duas coisas diferentes. Uma coisa é, realmente, o
pluralismo, a divergência, os debates parlamentares ou fora do
parlamento. Isso tem de ser, são vivos, faz parte da essência da
democracia. Outra coisa é pensar que não haverá, no essencial, na
fórmula de apoio ao Governo, a estabilidade suficiente para durar a
legislatura", declarou.O
chefe de Estado desvalorizou "essa vivacidade ou intensidade dos
debates", neste caso concreto entre BE e Governo, e acrescentou: "Eu
continuo a pensar que a legislatura vai até ao fim".O
Presidente da República referiu que já foram aprovados três dos quatro
orçamentos desta legislatura, "falta votar um só", no próximo ano."É
verdade que é aquele que antecede as duas eleições [europeias e
legislativas de 2019], mas, precisamente por isso, é aquele que ninguém
está a ver que venha a provocar um problema pré-eleitoral antecipado",
sustentou.Nestas
declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a
considerar que este Orçamento do Estado foi "o mais complicado de
elaborar", porque já depois da sua entrega "houve uma tragédia", e
reafirmou que levará mais tempo a analisar o diploma. O
Presidente salientou que, por causa das medidas de resposta aos
incêndios, "o Orçamento teve de ser mudado em pontos importantes,
incluindo no défice", tornando "mais complexa a elaboração, até mesmo à
votação final global" e, consequentemente, "um bocadinho mais trabalhosa
a análise do documento"."Precisarei
de mais tempo entre o momento da chegada e o momento da promulgação.
Mas, quanto mais depressa chegar, mais rapidamente estarei em condições
de decidir sobre a promulgação", afirmou.Na
segunda-feira, a deputada do BE Mariana Mortágua acusou os socialistas
de deslealdade e de cederem ao "poder das elétricas", voltando com a
palavra atrás ao mudar o seu sentido de voto e chumbar uma nova taxa
sobre as empresas de energias renováveis."Quando
era preciso um primeiro-ministro com 'nervos de aço' para responder às
empresas que pretendem manter rendas de privilégio, o Governo falhou",
lamentou Mariana Mortágua.