Marcelo classificou como "estúpida e egoísta" ideia de alterar voo
TAP
10 de abr. de 2023, 17:03
— Lusa/AO Online
“Nunca
me passou pela cabeça essa ideia que seria simultaneamente estúpida e
egoísta. Estúpida porque só um político muito estúpido ia sacrificar 200
pessoas por causa de partir um dia mais cedo ou um dia mais tarde numa
visita que se reajusta facilmente”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.O
Presidente acrescentou que seria também uma ideia egoísta e que, por
causa disso, a Presidência da República "nunca contactou ninguém sobre
isso”.Marcelo Rebelo de Sousa falava aos
jornalistas na aldeia de Valongo de Milhais, concelho de Murça, depois
de questionado sobre o teor do polémico email do ex-secretário de Estado
das Infraestruturas, que se tornou público na comissão parlamentar de
inquérito sobre a gestão da TAP.O Chefe de
Estado frisou ainda que, quando a questão foi colocada ao Chefe da Casa
Civil no dia 11 de fevereiro do ano passado, foi explicado “que era um
disparate”.Já na quarta-feira, a
Presidência da República afirmou, numa nota escrita, que nunca contactou
a TAP nem nenhum membro do Governo para uma mudança de um voo de
regresso de Moçambique em março de 2022."A
Presidência da República nunca contactou a TAP, nem nenhum membro do
Governo sobre tal assunto. A Presidência da República nunca solicitou a
alteração do voo da TAP, se tal aconteceu terá sido por iniciativa da
agência de viagens", lê-se na nota, enviada à agência Lusa.Na
mesma nota, a Presidência da República referiu que "o Presidente da
República deslocou-se a Moçambique em março de 2022" e que "a viagem foi
tratada pela agência de viagens habitual, que terá feito várias
diligencias e acabou por encontrar uma alternativa com a TAAG, via
Luanda, no dia 23, mas o regresso de Moçambique acabou por se verificar a
21 de março de 2022, num voo regular da TAP (TP182)".Na
terça-feira, na comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP, o
deputado da Iniciativa Liberal Bernardo Blanco confrontou Christine
Ourmières-Widener com uma troca de emails com o então secretário de
Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, sobre uma eventual mudança de
data de um voo que tinha como passageiro o chefe de Estado, Marcelo
Rebelo de Sousa e que não chegou a acontecer.Nesse
email que dirigiu à presidente executiva da TAP, o ex-secretário de
Estado das Infraestruturas Hugo Mendes argumentava que era importante
manter o apoio político de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que era
o “principal aliado” do Governo mas que poderia tornar-se o “pior
pesadelo”.Já esta segunda-feira o primeiro-ministro, em
declarações à agência Lusa, considerou gravíssimo o email que o
ex-secretário de Estado Hugo Mendes enviou à presidente executiva da TAP
sobre o chefe de Estado e afirmou que teria obrigado à sua demissão na
hora.