Marcelo assume cinco missões e rejeita "messianismos presidenciais"
Tomada de Posse
9 de mar. de 2021, 15:03
— Lusa/AO Online
Na sua intervenção perante a
Assembleia da República, após tomar posse para um segundo mandato,
Marcelo Rebelo de Sousa declarou ser "o mesmo de há cinco anos", com
"independência, espírito de compromisso e estabilidade, proximidade,
afeto, preferência pelos excluídos", a pensar em primeiro lugar "nos que
mais necessitam", como "os sem-abrigo, os com teto, mas sem habitação
condigna" e também os idosos "que vivem em lares ou em casa em solidão
ou velados por cuidadores formais ou informais".O
chefe de Estado prometeu continuar a atuar "com independência, espírito
de compromisso e estabilidade, proximidade, afeto, preferência pelos
excluídos, honestidade, convergência no essencial, alternativa entre
duas áreas fortes, sustentáveis e credíveis, rejeição de messianismos
presidenciais, no exercício de poder ou na antecipada nostalgia do termo
desse exercício".Ao longo do seu
discurso, de cerca de vinte minutos, Marcelo Rebelo de Sousa elencou
"cinco missões nacionais e presidenciais para os próximo cinco anos" e
considerou que correspondem, no seu conjunto à afirmação de "um sempre
renovado patriotismo, um patriotismo das pessoas, e não apenas do lugar,
da memória, dos usos, das instituições, um patriotismo do futuro".Como
"primeira prioridade", elegeu a defesa de uma "melhor democracia", em
que "a tolerância, o respeito por todos os portugueses, para além do
género, do credo, da cor da pele, das convicções pessoais, políticas e
sociais não sejam sacrificados ao mito do português puro, da casta
iluminada, dos antigos e novos privilegiados" "Queremos
uma democracia que seja ética republicana na limitação dos mandatos,
convergência no regime e alternativa clara na governação, estabilidade
sem pântano, justiça com segurança, renovação que evite rutura,
antecipação que impeça decadência, proximidade que impossibilite
deslumbramento, arrogância, abuso do poder", completou.Como
"segunda prioridade e a mais imediata", apontou o combate à propagação
da Covid-19 em Portugal, "em espírito da mais ampla unidade possível",
para que haja menos mortos e casos de infeção e mais vacinação, testagem
e rastreio. O chefe de Estado disse que é preciso "desconfinar com
sensatez e sucesso" e "evitar nova exaustação das estruturas de saúde e
dos seus heróis"."A terceira missão
prioritária do Presidente da República cobre não apenas 2021, mas também
os anos que se seguem. Durante esse tempo inevitavelmente mais longo,
teremos de reconstruir a vida das pessoas, que é tudo ou quase tudo:
emprego, rendimentos, empresas, mas também saúde mental, laços sociais,
vivências e sonhos. É mais, muito mais do que recuperar, ou seja,
regressar a 2019 ou a fevereiro de 2020. E essa é a terceira lição deste
ano", acrescentou.Segundo Marcelo Rebelo
de Sousa, para isso, há que "manter e aperfeiçoar as medidas para a
sobrevivência imediata do tecido social, do tecido económico e sua mais
rápida reconstrução" e "usar os fundos europeus com clareza estratégica,
boa gestão, transparência e eficácia, na resiliência social, na
qualificação, na transição energética, no digital". "Só
haverá, porém, verdadeira reconstrução se a pobreza se reduzir, os
focos de carência alimentar extrema desaparecerem, as desigualdades se
esbaterem, a exclusão diminuir, a clivagem entre gerações e entre
territórios for superada", sustentou, apontando a coesão social como a
sua "quarta missão prioritária".O
Presidente da República assumiu como "quinta missão" aprofundar o
protagonismo de Portugal no plano internacional como "plataforma entre
culturas, oceanos e continentes, simbolizada pela eleição e pela
desejável reeleição e António Guterres e pela abertura a todos os
azimutes da presidência portuguesa no Conselho da União Europeia".Depois
de elencar as suas cinco missões, Marcelo Rebelo de Sousa realçou o seu
empenho na salvaguarda da "unidade nacional, com a salutar
especificidade das regiões autónomas dos Açores e da Madeira", na
valorização das Forças Armadas e deixou uma palavra para a "diáspora
construtura de Portugais fora do território físico, mas dentro do
território espiritual".Em seguida,
referiu-se aos jovens, considerando que "não se satisfazem com as cinco
missões nacionais e presidenciais" elencadas e nomeou mais "três causas
concretas", também elas "nacionais e urgentes"."Desde
já, num Portugal desigual e envelhecido, esperam mais e melhor Serviço
Nacional de Saúde (SNS), peça chave da nossa democracia social. Num
Portugal pouco competitivo, esperam mais e melhores condições às
empresas para usarem em pleno os fundos europeus, atraírem investimento e
enfrentarem com sucesso a competição externa, cá dentro e lá fora. Num
mundo em aceleração, esperam ainda mais e melhor liderança portuguesa na
luta pela ação climática", afirmou.