Marcelo alerta contra "situação cinzenta" na descentralização de competências educativas
3 de nov. de 2017, 16:20
— Lusa/AO online
"Sem uma definição que, por um lado,
fique clara à partida e, por outro lado, seja reajustável em função de
um processo avaliativo constante, entraremos numa situação cinzenta em
que a bondade da descentralização, que é indiscutível, será ultrapassada
pelos efeitos negativos de decisões precipitadas ou de posições
prematuras", alertou Marcelo Rebelo de Sousa. O chefe de Estado
falava no encerramento do 1.º Congresso das Escolas, que juntou
dirigentes do ensino público, do ensino particular e cooperativo e do
ensino profissional, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Numa
intervenção de perto de 40 minutos, o Presidente da República
considerou que "os processos de transferência e delegação de
competências exigem definição clara de objetivos e a instituição de
mecanismos de acompanhamento e de avaliação de resultados, sob pena de
perderem sentido e eficácia". "Sendo um pouco mais explícito, a
descentralização - digo-o com a experiência de quem dirigiu já
estabelecimentos de ensino, e de quem foi ao longo da vida várias vezes
autarca - supõe princípios muito claros, definição consensual em matéria
de transferência de atribuições e de fixação de competências, e também
idêntica clareza quanto aos recursos envolvidos", prosseguiu Marcelo
Rebelo de Sousa. Segundo o chefe de Estado, é preciso assegurar
"que não haja equívocos que significam uns alijarem responsabilidade
para outros não poderem cumprir aquilo que se lhes é exigido à míngua de
recursos para o efeito". À saída desta iniciativa, questionado
sobre a greve marcada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof)
para 15 de novembro, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "é uma
vivência normal em democracia haver greve por razões laborais ou
sindicais". "Não tem nada a ver com aquilo que eu penso que é
fundamental, que é haver convergências quanto às políticas fundamentais
da educação entre partidos políticos, parceiros económicos e sociais",
acrescentou. No seu discurso no 1.º Congresso das Escolas, o
Presidente da República defendeu que Portugal deve apostar no ensino
profissional e na educação de adultos. O chefe de Estado
sustentou ainda que os portugueses não assumem a educação como
prioridade nacional, decisiva para o seu voto, e que é preciso
sensibilizá-los para que isso mude. Quanto aos entendimentos
políticos, afirmou que é preciso "acentuar o que une", que no seu
entender é maior do que aquilo que divide.