Marcelo afirma não ter indicação de que Costa pensa sair a meio da legislatura
Governo
31 de mar. de 2022, 15:44
— Lusa/AO Online
Interrogado
pelos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, se o aviso que fez a
António Costa de que será difícil substituí-lo a meio da legislatura se
deveu a alguma indicação de que o primeiro-ministro tem planos para sair
a meio do mandato, o chefe de Estado respondeu: "Não"."Não,
não, não não. É porque é uma evidência. Eu estive ali a dizer as
evidências do voto dos portugueses: votaram numa maioria absoluta,
poderiam ter votado noutras escolhas, votaram na estabilidade e votaram
para que essa estabilidade pudesse resolver os problemas do país",
acrescentou.Questionado novamente se algum
dado o leva a crer que António Costa pode vir a sair a meio da
legislatura, Marcelo Rebelo de Sousa retorquiu: "Já respondi. Não tenho
nada mais a acrescentar".Segundo o
Presidente da República, "nunca houve irritante nenhum" com o
primeiro-ministro, "não há irritantes", e a relação entre os dois não
será prejudicada pela intervenção que fez na quarta-feira na cerimónia
de posse do novo Governo.Face à pergunta
se gostaria de ter ouvido do primeiro-ministro a garantia de que quer
cumprir o mandato até ao fim, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que
"decorreu do que ele disse a predisposição de olhar para a legislatura,
falou até ao fim da legislatura, legislatura parlamentar".No
seu entender, António Costa "assumiu que está a avançar para uma
empreitada, chamemos-lhe assim, que é uma empreitada de quatro anos e
meio".Mais à frente, a propósito da
escolha de João Gomes Cravinho para ministro dos Negócios Estrangeiros, o
chefe de Estado assinalou que o primeiro-ministro "reforça o seu poder
em política externa" neste terceiro executivo, passando a ter na sua
dependência direta o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago
Antunes, seu ex-secretário de Estado Adjunto.Quanto
à relação que terá com Gomes Cravinho, Marcelo Rebelo de Sousa
argumentou que "na política externa não europeia há um relacionamento
permanente, constante", que "é sempre fluido", e assegurou "cooperação
institucional, solidariedade institucional".Ainda
sobre a cerimónia de posse, o Presidente da República referiu que "cada
um fez o seu discurso autonomamente", mas que verificou ao ouvir o
primeiro-ministro que "repisava várias ideias" da sua intervenção."Quanto
à guerra, quanto a algumas das prioridades mais imediatas e outras que
são mais a prazo, quanto à ideia de que a maioria absoluta não é poder
absoluto, quanto à garantia que é a existência do Presidente da
República e o seu papel em termos de cooperação e solidariedade
institucional com o Governo. E até no dizer: é o mesmo Presidente, é o
mesmo primeiro-ministro, estamos cá para a legislatura", apontou.O
chefe de Estado realçou que o seu segundo e último mandato termina em
março de 2026 e a legislatura entre setembro e outubro do mesmo ano, e
concluiu: "Temos aqui à nossa frente um período muito longo de quase
quatro anos de colaboração institucional como houve no passado".No
seu discurso na quarta-feira, António Costa disse que "a maioria
absoluta corresponde a uma responsabilidade absoluta para quem governa",
acrescentando: "Os portugueses resolveram nas eleições a crise política
e garantiram estabilidade até outubro de 2026. Estabilidade não é
sinónimo de imobilismo, é sim, exigência de ambição e oportunidade de
concretização. Temos a obrigação de aproveitar a estabilidade para
antecipar a incerteza, enfrentando corajosamente os desafios
estruturantes com que nos confrontamos".