Marcelo acompanha situação da Groundforce e diz que Governo faz "tudo o que pode"
9 de mar. de 2021, 18:44
— Lusa/AO Online
"Tenho
acompanhado, podem ter a certeza, e continuarei a acompanhar", disse
Marcelo Rebelo de Sousa a um grupo de trabalhadores que o aguardavam à
chegada ao aeroporto para lhe "pedir ajuda" no sentido de desbloquear o
"inferno" que estão a viver.O chefe de
Estado, que hoje tomou posse para um novo mandato, afirmou que o
primeiro-ministro e outros membros do Governo se têm "empenhado muito"
para resolver a situação da Groundforce."Podem
ter a certeza, que eu sou testemunha disso, que o Governo está a fazer
tudo o que pode para desbloquear a situação", frisou.Mais
de duas centenas de trabalhadores da Groundforce manifestaram-se hoje
no aeroporto do Porto para denunciar a situação "extremamente grave" que
vivem e pedir ajuda ao Governo para salvar a empresa de "handling"
(assistência em terra).Os cerca de 2.400
trabalhadores da Groundforce aguardam ainda pelo pagamento dos salários
de fevereiro e receiam a perda dos postos de trabalho, caso seja pedida a
insolvência da empresa, depois de não ter sido alcançado acordo entre o
acionista privado, a Pasogal (50,1%) e a TAP (49,9%).Marcelo Rebelo de Sousa assumiu que a situação da Groundforce tem um lado humano e social, mas também um lado económico. Quanto
à primeira vertente, o Presidente da República reconheceu que a
situação pessoal e familiar dos trabalhadores é “muito penosa e
complicada” em termos salariais, numa altura em que o país está em crise
devido à pandemia de covid-19. Já sobre a
questão económica, o chefe de Estado sublinhou que tudo o que seja uma
paragem da atividade da Groundforce bloqueia o “que é fundamental” para a
entrada e saída por via aérea no país, o que significa que tem uma
consequência “muito pesada” na economia portuguesa. “Sabemos
que a pandemia está, neste momento, a sacrificar muitas famílias
portuguesas, mas sabemos também que o bloqueamento ou paralisia no
funcionamento dos aeroportos, numa parte fundamental da sua atividade,
tem consequências económicas muito graves para o país”, reforçou. Reafirmando
ser testemunha de que o Governo tem estado em cima dos acontecimentos,
atuando em relação a eles, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que tem vindo
a saber-se de coisas que não se sabiam, situação que obriga a reajustar
os planos em função dessas novas informações. O
Governo está a tentar encontrar uma resposta perante os novos problemas
que se vão descobrindo e que não sabia que existiam, o que “às vezes
demora tempo”, ressalvou. Revelando ter
recebido na segunda-feira o presidente da TAP, o Chefe de Estado alertou
para a importância de se resolver o “mais rapidamente possível” esta
questão atendendo à situação dos trabalhadores. O
Presidente da República, questionado sobre qual poderia ser a solução,
não quis antecipar-se, lembrando que a competência nesta matéria é do
Governo de António Costa. Antes de partir
do aeroporto em direção à Câmara Municipal do Porto, onde ia
encontrar-se com o autarca portuense e presidir à cerimónia ecuménica,
com a participação de representantes de várias confissões religiosas
presentes em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa disse a um trabalhador,
que lhe agradeceu os ter ouvido, que um Presidente da República “é para
isso mesmo”. Segundo fonte oficial do
Ministério das Infraestruturas e da Habitação, as negociações, que já se
arrastavam há vários dias, falharam, porque Alfredo Casimiro, dono da
Pasogal, não pode entregar as ações como garantia para o empréstimo, uma
vez que já se encontram penhoradas.Em
causa estão as negociações para um adiantamento de 2,05 milhões de euros
para pagamento de salários em atraso, relativos a fevereiro, que seria
feito pela TAP à Groundforce, em que as ações da Pasogal seriam dadas
como garantia.