Manutenção deve voltar a ser feita nas oficinas da Carris
Acidente/Elevador
21 de out. de 2025, 16:46
— Lusa/AO Online
O acidente com o elevador da Glória, ocorrido
em 03 de setembro, causou 16 mortos e cerca de duas dezenas de feridos,
entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.Num
relatório preliminar às causas do acidente, a que a Lusa teve acesso na
segunda-feira, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com
Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) apontou falhas e omissões
na manutenção do ascensor e também a falta de formação dos funcionários
e de supervisão dos trabalhos que são efetuados por uma empresa externa
prestadora do serviço.Numa nota, a
Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans)
defendeu que o relatório preliminar “reforça a necessidade de se
inverter a opção de gestão de externalizar o serviço de manutenção dos
elevadores na cidade de Lisboa, retornando essa função para o âmbito do
setor oficinal da Carris”.“Tendo em conta o
tipo de serviço que é prestado, a manutenção dos equipamentos tem de
ser uma preocupação central da Carris, para a qual deve alocar todos os
meios técnicos, humanos e financeiros, para que se cumpra essa função,
de modo a assegurar um serviço de qualidade e seguro”, acrescentou a
Fectrans.A federação de sindicatos de
transportes defendeu ainda que a investigação em curso “deve incidir
sobre todos os aspetos e apuradas todas as responsabilidades diretas e
indiretas”.“Entre elas continuamos a
apontar o processo de destruição do setor oficinal da Carris, com as
rescisões efetuadas e a destruição da capacidade de construção e de
reparação que existia e a destruição das equipas de trabalhadores que
dedicavam a sua vida profissional à manutenção e reparação dos
elevadores e ascensores”, realçou.O
relatório preliminar do GPIAAF revela que o cabo que unia as duas
cabinas do Elevador da Glória e que cedeu no seu ponto de fixação da
carruagem que descarrilou não respeitava as especificações da Carris,
nem estava certificado para uso em transporte de pessoas.Além
de falhas e omissões na manutenção, este organismo público apontou
também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos
trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.O
GPIAAF diz, por exemplo, que as inspeções previstas para o dia do
acidente “estão registadas como executadas, embora detenha evidências de
que não foram feitas no período horário indicado na correspondente
folha de registo”.Aquele gabinete
recomenda ainda à Carris que não reative os ascensores de Lisboa “sem
uma reavaliação por entidade especializada”, e ao Instituto da
Mobilidade e dos Transportes que implemente um quadro regulamentar
apropriado.