Manifesto que pede alterações no combate à pandemia com mais de 380 apoiantes
Covid-19
5 de mai. de 2021, 18:05
— Lusa/AO Online
Mais de 50 signatários deram
corpo ao “Manifesto Açoriano Pelos Direitos Fundamentais”, que considera
que as “medidas opressivas, autoritárias e profundamente penalizadoras
da economia e da sociedade em geral (…) representam, elas próprias, um
sério risco para a própria ‘Saúde Pública’ que visam proteger”.Este
documento reúne já o apoio de mais de 380 pessoas na plataforma digital
Petição Pública e os signatários têm já reunido com partidos e
organizações, como é o caso da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta
Delgada.“Os subscritores aguardam ainda a
disponibilidade do Sr. Presidente do Governo para os receber”, adiantam
em comunicado enviado esta quarta-feira , “na certeza, porém, de que cada dia que
passa na incerteza do que será o amanhã é mais um fator de instabilidade
e ansiedade para as famílias, os trabalhadores e as empresas”.O
documento serve-se dos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) para
frisar que “a taxa de mortalidade associada à Covid-19 é extremamente
baixa, sendo que os fatores de risco estão diretamente associados a
outras patologias e comorbilidades”.Realça
ainda que 87% dos óbitos relacionados com a covid-19 estão associados a
uma faixa etária acima dos 70 anos e 65% das mortes são de pessoas com
mais de 80 anos, “devendo obrigatoriamente as medidas de contenção ser
focalizadas neste grupo etário”.Assim, e
referindo que “ainda está distante a imunidade de grupo”, o manifesto
pede que se tenha “em linha de conta as muitas aprendizagens feitas
neste longo período de pandemia sobre a perigosidade do vírus” e
consideram ser “imperiosa uma alteração das estratégias de combate à
pandemia implementadas na região”.A nova
estratégia de contenção da pandemia de covid-19 deve permitir, “por um
lado, o seu controlo, dentro do respeito pelos direitos fundamentais dos
cidadãos, garantidos na Constituição da República Portuguesa, bem como,
por outro lado, a prossecução de um mínimo de padrões de normalidade na
vida das comunidades”.Para isso, é
sugerido que sejam repostas “as liberdades e direitos básicos dos
cidadãos”, com o restabelecimento do “direito à circulação, à mobilidade
dos cidadãos, ao exercício físico (…) e à vida em comunidade, dentro do
respeito pelas medidas sanitárias básicas”.É
pedida também a reabertura de escolas e a retoma da atividade normal
dos estabelecimentos de hotelaria e restauração e das atividades
culturais.O esforço de contenção deve
passar “por medidas pedagógicas de profilaxia dos contágios, como seja o
uso de máscaras em locais fechados, a etiqueta respiratória e o
distanciamento quando possível”.Para os
apoiantes do manifesto, “em lugar de medidas altamente lesivas do
bem-estar social”, o executivo regional deve “capacitar o Serviço
Regional de Saúde com o reforço de meios, técnicos e humanos, para uma
eficiente gestão dos impactos da pandemia”.Quanto
à gestão da crise pandémica, é sugerida a revisão dos critérios de
risco, “optando-se por uma política mais cirúrgica, localizada e
flexível”, bem como a criação de uma “comissão multidisciplinar de
acompanhamento da pandemia que congregue especialistas de várias áreas
científicas como a sociologia, a psicologia, a economia e outras
ciências sociais”, além dos médicos de saúde pública e epidemiologistas.Os
signatários querem ver, “com caráter de urgência, um robusto Plano de
Revitalização Económica da Ilha de São Miguel, que permita
desburocratizar, incrementar e agilizar as medidas de apoio social e
económico imprescindíveis à retoma”.