Manifesto dos 50 pede esclarecimentos do MP sobre alegado inquérito a juiz Ivo Rosa
2 de out. de 2025, 16:05
— Lusa/AO Online
Em comunicado enviado às redações, este
movimento cívico criado em maio de 2024 falou em “tentativa de
perseguição penal” e disse ser “indispensável um esclarecimento do
Ministério Público sobre os factos noticiados e os critérios aplicados
para a abertura das investigações em causa”.O
Manifesto dos 50, que integra figuras como os ex-presidentes da
Assembleia da República Augusto Santos Silva e Eduardo Ferro Rodrigues,
defendeu que o Presidente da República e o presidente da Comissão de
Assuntos Constitucionais devem exigir esclarecimentos à
Procuradoria-Geral da República.“É
inaceitável qualquer tentativa de condicionamento de juízes por formarem
o seu juízo e decidirem de forma independente e imparcial, usando
investigações abertas com base em denúncias anónimas”, acrescentou o
movimento, do qual fazem também parte os antigos ministros Maria de
Lurdes Rodrigues (PS) e David Justino (PSD), o advogado António Garcia
Pereira ou o constitucionalista Vital Moreira.Em
causa está o caso noticiado pela CNN/TVI de um processo-crime contra o
juiz Ivo Rosa, quando exercia funções de juiz de instrução no Tribunal
de Instrução Criminal, e que terá tido como base uma denúncia anónima
recebida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e
pela Polícia Judiciária (PJ). Nesta
investigação, o Ministério Público terá acedido a faturação do então
juiz de instrução, à localização do telemóvel e a contas bancárias. Segundo
o mesmo canal, o processo-crime terá sido aberto no início de 2021,
meses antes de o juiz Ivo Rosa anunciar, em abril desse ano, a decisão
instrutória do processo Operação Marquês.Nessa
decisão, o juiz deixou cair a maioria dos crimes que constavam na
acusação do Ministério Público, tendo o Tribunal da Relação de Lisboa
revertido mais tarde a decisão. Em causa
na denúncia contra Ivo Rosa estariam suspeitas de crimes como corrupção,
peculato e branqueamento de capitais, com base numa denúncia que foi
classificada pelo procurador-geral adjunto como tendo “descritas
inconsistências”.Nesta investigação,
arquivada em março do ano passado, o Ministério Público terá acedido a
faturação do então juiz de instrução, à localização do telemóvel e a
contas bancárias.