Manifestantes ocupam central de processamento de gás natural no sul do Peru
14 de dez. de 2022, 13:24
— Lusa/AO Online
A
Transportadora de Gás do Peru (TGP) revelou, em comunicado, que os
manifestantes forçaram o acesso à central, onde circulam hidrocarbonetos
em alta pressão, e alertou que "qualquer ataque a esta infraestrutura
pode comprometer seriamente a integridade" das pessoas presentes.A
empresa, encarregada de transportar aproximadamente 96% do gás natural
que o Peru produz, acrescentou que as pessoas que participaram na tomada
da fábrica são da cidade de Kepashiato, na província de Cuzco de La
Convención.Em resposta à invasão, o TGP
ativou o seu plano de contingência e notificou as autoridades
competentes para “reporem a ordem” na zona, noticiou a agência Efe.A
ocupação desta central de processamento de gás natural insere-se no
contexto da eclosão de protestos que o Peru vive desde quarta-feira,
quando o então Presidente Castillo lançou uma tentativa de golpe de
Estado ao determinar a destituição do Congresso, a constituição de um
governo de emergência e a reorganização do sistema de justiça.Esta
crise política, que culminou com a destituição e detenção de Castillo e
a subida ao poder da sua vice-Presidente, Dina Boluarte, resultou em
manifestações em várias regiões do país, sobretudo na zona sul, que já
causaram seis mortos e centenas de feridos.A
elite política e a oligarquia de Lima sempre desdenharam Castillo, um
professor rural de origem indígena e dirigente sindical sem ligações às
elites, sobretudo apoiado pelas regiões andinas desde as eleições
presidenciais que venceu por curta margem na segunda volta contra a
candidata de extrema-direita Keiko Fujimori, a filha do anterior
presidente Alberto Fujimori, condenado em 2009 a 25 anos de prisão, que
não cumpriu na totalidade.Dina Boluarte,
que ocupava a vice-presidência até à sua investidura na passada
quarta-feira após a destituição de Castillo, anunciou inicialmente
eleições gerais para 2026, mas de seguida indicou ter “compreendido a
vontade dos cidadãos” e disse ter “decidido tomar a iniciativa de um
acordo (…) para avançar com eleições gerais em abril de 2024”.No
entanto, os manifestantes continuam a exigir a dissolução do Congresso
(o parlamento unicameral), eleições imediatas e uma nova Constituição.