Manifestantes atacam base do exército paquistanês após detenção do ex-PM Imran Khan
9 de mai. de 2023, 17:11
— Lusa
Dezenas
de pessoas com bastões na mão aproximaram-se do quartel-general do
exército paquistanês na cidade de Rawalpindi, na província de Punjab, e
abriram os portões, segundo imagens de vídeo partilhadas pelos meios de
comunicação social paquistaneses e descritas pelas agências
internacionais. A primeira e única vez que
se registou um ataque a um quartel-general do exército paquistanês foi
em 2009, com uma ofensiva do principal grupo talibã paquistanês, o
Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).Os
apoiantes de Khan também invadiram as residências dos oficiais militares
nas cidades de Lahore e Peshawar, empunhando bastões e partindo janelas
e portas de edifícios, também de acordo com vídeos partilhados pelos
meios de comunicação locais.A violência
eclodiu em grande parte do país depois de dezenas de homens fardados de
preto, pertencentes à unidade dos Rangers, terem detido Khan e os
respetivos seguranças ao início da tarde. As
imagens do momento da detenção mostram os guarda-costas do antigo
primeiro-ministro a tentarem defender-se dos ataques dos agentes.Os vídeos mostram também os agentes a tentarem entrar à força no edifício do tribunal, partindo os vidros das janelas.Segundo
a polícia de Islamabad, Imran Khan foi detido no âmbito de um processo
de corrupção que envolveu um fundo de educação de 177 milhões de dólares
(161,55 milhões de euros ao câmbio atual), caso conhecido no país como o
processo "Qadir Trust".Khan tem sido
implicado em vários casos de corrupção, mas o político tem evitado
processos e acusações, alegando problemas de saúde e falta de segurança,
depois de ter sofrido ferimentos de bala em ambas as pernas numa
tentativa de assassínio em novembro passado.O
antigo primeiro-ministro foi destituído do cargo em abril de 2022 após
uma moção de censura, que Khan atribuiu a uma iniciativa dos Estados
Unidos para o afastar do poder, embora mais tarde tenha afirmado que foi
o antigo chefe do exército paquistanês, Qamar Bajwa, que conspirou com a
oposição para o destituir.