Manifestações maiores contra medidas do Governo na Alemanha
Covid-19
4 de jan. de 2022, 13:36
— Lusa/AO Online
Cerca de
50.000 pessoas manifestaram-se no estado federal de Baden-Württemberg,
no sudoeste da Alemanha, afirmou o ministro do Interior da região,
Thomas Strobl.Segundo o responsável, este
número é “muitíssimo grande” e foi conseguido na sequência de 170
convocatórias para protestos feitas em toda a região, muitos dos quais
não foram autorizados, tendo adotado a forma de “passeios coletivos”
anunciados nas redes sociais e aplicações de mensagens como o Telegram.“O
Estado de Direito não pode olhar para o outro lado”, defendeu Strobl,
considerando que este tipo de organização de protestos “é punível” por
lei.No estado federado (‘Länder’) da
Turíngia (centro leste do país), as manifestações juntaram cerca de
17.000 pessoas, de acordo com números avançados hoje pela polícia, que
garantiu que, com exceção de alguns episódios isolados, as manifestações
foram pacíficas. Em Meclemburgo-Pomerânia
Ocidental (nordeste), as manifestações contra as medidas governamentais
atraíram, há pouco menos de uma semana, cerca de 12.000 participantes
em 20 locais diferentes. Na Baviera
(sul), reuniu-se um total de 10.000 pessoas, segundo dados da polícia,
número semelhante ao contabilizado na Saxónia, no leste do país.O
resto do país também registou protestos que, embora menos concorridos,
foram muitas vezes acompanhados de manifestações contra o cariz de
extrema-direita de grande parte do movimento de oposição às medidas do
Governo.Entre os vários protestos, o único
que registou incidentes violentos na segunda-feira ocorreu no município
de Lichtenstein, no estado da Saxónia. Catorze polícias ficaram feridos
num confronto com um grupo de manifestantes, um dos quais mordeu um
agente, de acordo com a direção da polícia local.Em
Berlim, várias centenas de manifestantes reuniram-se em frente à sede
do canal público de televisão ZDF e gritaram frases associadas à
extrema-direita como “imprensa mentirosa”, numa manifestação que foi
condenada pela Associação de Jornalistas Alemães (DJV).Desde
que o novo Governo do chanceler Olaf Scholz anunciou a intenção de
adotar a vacinação obrigatória contra a covid-19, os protestos semanais
têm aumentado.Representantes de vários
partidos políticos admitiram estar preocupados com a crescente
radicalização do movimento, que se mistura, em grande parte do país, com
a extrema-direita e com grupos de tendências esotéricas.