Manifestação pela Amazónia reuniu dezenas de pessoas na embaixada do Brasil em Paris
23 de ago. de 2019, 17:05
— Lusa/AO Online
Os gritos em frente à embaixada do Brasil em
Paris, que se situa no 8º bairro, perto dos Campos Elísios, variavam
entre "Bolsonaro criminoso" e "G7 não presta", com muitos cartazes em
português e em francês que chamavam a atenção para a destruição que os
incêndios estão a provocar na Amazónia.A
manifestação foi convocada pela organização Youth for Climate Paris e
outras organizações que defendem o ambiente em França, contando com a
participação de franceses e brasileiros reunidos por esta causa comum.O
protesto foi seguido de perto por cerca de 30 polícias que montaram um
forte dispositivo de segurança à frente da embaixada, embora a
manifestação tenha decorrido de forma pacífica."Os
meios de comunicação internacionais têm dado mais atenção a esta
questão que no Brasil. A grande questão é o desmonte das instituições no
Brasil. O orçamento da agência do Governo que é responsável por
implementar as leis contra a desflorestação [Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA] teve o
orçamento cortado este ano”, disse Alila.A
brasileira que vive há 13 anos em Paris, em declarações à Lusa,
acrescentou: “E o Ministério das Relações Externas fez uma campanha a
dizer que temos as melhores leis? Parece o Trump".Esta
semana, uma publicação da embaixada do Brasil em Paris, na sua página
de Facebook, onde escreveu que o Brasil é "um verdadeiro campeão da
proteção ambiental" gerou vários comentários e opiniões discordantes,
que trouxeram Alila e a amiga Laís à manifestação.Nem
a ação de Emmanuel Macron, Presidente francês, que já criticou
abertamente a falta de ação do seu homólogo Jair Bolsonaro, e ameaçou
hoje travar as negociações comerciais entre a União Europeia e o
Mercosul, parece chegar para resolver esta crise ambiental."Eu
não acho que isso seja suficiente. É preciso tomar muito cuidado com a
forma, a retórica que é usada, porque Jair Bolsonaro está à frente de um
Governo de extrema-direita soberanista e, na opinião deles, qualquer
tipo de crítica de um país europeu sobre a Amazónia vão tomar como um
ataque à soberania do Brasil", indicou Alila.Também os franceses consideram que o seu Presidente deve ter maior cautela quando se dirige aos países estrangeiros. "Não
sabemos quem vai conseguir travar esta situação, já que Bolsonaro veio
dizer que Macron tem intenções colonialistas quando fala sobre os
problemas internos do Brasil. A única coisa que nos resta e que pode ser
eficaz, é virmos para a rua e manifestar-nos", considerou Danielle.A
parisiense, que disse ter vindo até à embaixada por participar "há
anos" em todos os protestos na capital que dizem respeito ao ambiente,
mostrou-se impressionada com a predominância de jovens na manifestação."Fico muito contente de ver que os jovens continuam as nossas lutas", indicou Danielle.Uma
jovem de 17 anos que representava a Youth for Climate Paris, Margot,
disse à comunicação social que Macron "critica muito, mas age no sentido
contrário"."Nós denunciamos o liberalismo
económico e a questão ambiental é mais do que urgente. Vamos continuar a
lutar pelo nosso futuro", declarou a jovem.Várias
organizações ambientais estão a preparar, para 20 de setembro, uma
"Greve pelo Clima", que já tem mais de 15 mil presenças confirmadas nas
redes sociais.No evento, os jovens dizem
que farão greve às aulas e pedem a toda a população ativa na capital que
se junte a eles para chamar a atenção para os problemas ambientais.