Manifestação de pescadores em Ponta Delgada quer alertar para "penúria" da classe
16 de mar. de 2023, 13:15
— Lusa/AO Online
A manifestação é promovida
pela cooperativa Porto de Abrigo e Sindicato Livre dos Pescadores e está
agendada para as 15h00 na Matriz, na
cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, seguindo-se uma
deslocação até à delegação da Assembleia Legislativa Regional dos
Açores, onde será entregue uma moção.Liberato
Fernandes, porta-voz da comissão que promove a manifestação, explicou
à agência Lusa que o protesto foi decidido num plenário "muito
participado", realizado há cerca de três semanas em Rabo de Peixe, a
principal comunidade piscatória dos Açores. "Assiste-se
a uma degradação das condições de vida dos pescadores. Podemos dizer
que a situação da pesca é desesperante. Em muitos sítios passa-se fome e
a alimentação é feita à base de alimentos baixo custo", sustentou
Liberato Fernandes.Segundo o porta-voz, os
pescadores vivem uma "situação de penúria", devido ao aumento constante
dos bens de primeira necessidade e aos baixos vencimentos da classe
piscatória". "No último mês há quem nem
100 euros ganhou", assinalou Liberato Fernandes, alertando ainda que "o
valor médio" das reformas no setor da pesca situa-se "à volta dos 450
euros mensais", depois de "45 anos no mar".O
responsável deixou a pergunta: "Quem tem despesas com água luz e casa
pode sobreviver com 300 euros? Se os senhores que são responsáveis pela
política do Governo Regional vivessem nessas condições o que é que
aconteceria?".Os profissionais da pesca e
quem depende da atividade marítima criticam ainda a forma como está a
ser aplicado o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)."Temos
conhecimento de que uma verba substancial já foi alocada à compra de um
terreno e um edifício que está em ruínas no Faial que é da Cofaco e
essa compra representou mais de 32 milhões de euros. Estimamos que o
processo de recuperação desse edifício para montar o Martec [centro de
investigação planeado pelo Governo], que ninguém sabe exatamente o que
é, vai representar no mínimo 16 milhões de euros", disse Liberato
Fernandes.Para o responsável "seria normal
investir dinheiro do PRR na instalação de motores de muito menor
consumo nas embarcações e na sustentabilidade futura das pescarias”. “Mas, nem uma coisa nem outra se enquadram na escritura já realizada", criticou.Liberato
Fernandes adiantou à Lusa que outro ponto que consta da moção aprovada
em plenário prende-se com "atrasos no pagamento de verbas" de apoios da
União Europeia, às quais "os pescadores têm direito"."Há
um atraso superior a 16 milhões de euros e que já devia ter sido pago
há muito tempo", explicou, elencando ainda "o problema do constante
aumento do preço dos combustíveis", num período de "redução do valor
global das capturas".