Manifestação de mulheres afegãs reprimida pelas autoridades de Cabul
22 de dez. de 2022, 13:18
— Lusa/AO Online
O grupo composto por "ativistas
sociais, raparigas e estudantes" gritava palavras de ordem como: "ou
todos ou ninguém" e "queremos igualdade de oportunidades educativas",
durante o protesto em Cabul "contra a cruel decisão do governo talibã". A
organizadora da marcha de protesto, Basira Hussaini, disse à agência de
notícias espanhola Efe, que a ação terminou abruptamente porque as
"forças de segurança talibãs e os polícias dispersaram a manifestação de
forma violenta" tendo torturado e detido algumas das participantes. O
protesto ocorreu um dia depois de as autoridades talibãs terem
decretado oficialmente a proibição do ensino universitário às estudantes
afegãs.Na quarta-feira, as mulheres foram impedidas de entrar nos estabelecimentos de ensino universitário. A
proibição decretada pelos fundamentalistas, condenada por vários países
e organizações internacionais, incluiu-se na vasta lista de restrições
contra as mulheres, tais como impostos sobre o acesso ao ensino
secundário, segregação no uso dos espaços públicos, além da obrigação do
véu islâmico. Entretanto, a Turquia e a
Arábia Saudita tornaram-se os últimos países de maioria muçulmana a
condenarem a decisão das autoridades talibãs contra as mulheres afegãs.O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia Mevlut Cavusoglu disse que a proibição não é "nem islâmica nem humana".Numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo do Iémen, Cavusoglu apelou aos talibãs para reconsiderarem a decisão."Qual
é o mal da educação das mulheres? Que mal faz ao Afeganistão"? disse
Cavusoglu. "Haverá uma explicação islâmica? Pelo contrário, a nossa
religião, o Islão, não é contra a educação, pelo contrário, encoraja a
educação e a ciência", acrescentou o chefe da diplomacia turca.A
Arábia Saudita, que até 2019 impôs restrições generalizadas às mulheres
sobre viagens, acesso ao mercado de trabalho e a outros aspetos
cruciais da vida quotidiana, incluindo a condução automóvel, também
exortou os talibãs a mudarem a decisão.O
Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita expressou "espanto e pesar"
pelo facto de ser negada às mulheres afegãs uma educação universitária.
Anteriormente, o Qatar, que mantém ligações com as autoridades talibãs, também condenou a decisão.Num
outro sinal de oposição interna, vários jogadores de críquete afegãos
condenaram a proibição do acesso à universidade pelas mulheres do
Afeganistão. O críquete é um desporto
extremamente popular no Afeganistão e os jogadores têm centenas de
milhares de seguidores nas redes sociais.