Maltesa Roberta Metsola eleita presidente do Parlamento Europeu
18 de jan. de 2022, 11:22
— Lusa/AO Online
Na
votação realizada na manhã desta terça-feira, Metsola obteve 458 votos entre 616
votos expressos, superando por larga margem a maioria absoluta de que
necessitava (309), anunciou o eurodeputado português Pedro Silva
Pereira, que dirigiu o ato eleitoral enquanto segundo vice-presidente da
assembleia.Apesar de ter três oponentes
nesta eleição - a sueca Alice Bah Kuhnke (Verdes/Aliança Livre
Europeia), que foi a segunda mais votada, com 101 votos, o polaco Kosma
Zlotowski (Conservadores e Reformistas Europeus) e a espanhola Sira Rego
(Grupo da Esquerda) -, a vitória de Metsola, até agora primeira
vice-presidente do Parlamento Europeu, era já esperada, em função do
entendimento entre as três maiores bancadas do hemiciclo, que previa que
a presidência da assembleia europeia na segunda metade da legislatura
coubesse a uma figura escolhida pelo PPE, de centro-direita, após o
socialista Sassoli a ter assumido nos dois primeiros anos e meio.Roberta
Metsola, que cumpre hoje 43 anos, advogada, torna-se a terceira mulher a
presidir ao Parlamento Europeu – depois das francesas Simone Veil e
Nicole Fontaine -, a primeira maltesa a dirigir uma instituição
europeia, e ainda a mais jovem presidente de sempre da assembleia
europeia.Ainda hoje, os eurodeputados vão
eleger os 14 vice-presidentes e os cinco questores, que compõem a Mesa
do Parlamento Europeu, escolha que determinará a composição deste órgão
nos próximos dois anos e meio, ou seja, até 2024.Todos
os cargos eleitos do Parlamento Europeu (presidente, vice-presidente,
questor, presidente e vice-presidente de comissão e presidente e
vice-presidente de delegação) são renovados a cada dois anos e meio em
dois anos e meio.A eleição – que já estava
há muito agendada para esta primeira sessão plenária do ano,
independentemente do estado de saúde do anterior presidente – ocorre um
dia após o Parlamento Europeu ter prestado homenagem a David Sassoli,
numa cerimónia no hemiciclo de Estrasburgo, durante a qual vários
dirigentes europeus destacaram o legado que deixa na Europa, marcado
pela defesa dos mais vulneráveis.Sassoli
morreu a 11 de janeiro, aos 65 anos, em Aviano (Itália), onde se
encontrava hospitalizado desde 26 de dezembro, sendo o primeiro
presidente do Parlamento Europeu a morrer em exercício de funções nas
quais estava prestes a ser substituído, no cumprimento de um acordo de
partilha do mandato de cinco anos.David
Sassoli contraiu uma pneumonia em setembro de 2021, que o obrigou a
receber tratamento hospitalar em Estrasburgo e, embora tenha recebido
alta hospitalar uma semana depois, prosseguiu a recuperação em Itália e
esteve mais de dois meses ausente das sessões plenárias do parlamento,
regressando no final do ano.O funeral do político italiano, com honras de Estado, teve lugar na passada sexta-feira, em Roma.Felicitada
por Pedro Silva Pereira, pela eleição e pelo aniversário, e convidada a
assumir o cargo, as primeiras palavras de Metsola enquanto presidente
foram precisamente em memória de Sassoli.“Um
lutador, sempre em defesa dos valores comuns da democracia, dignidade,
justiça, solidariedade, igualdade, Estado de direito e direitos
fundamentais”, assinalou.