Majorações específicas para as artes nas regiões autónomas são “ato de justiça”
Hoje 10:33
— Lusa/AO online
“É
uma ideia que o nosso Ministério e em especial a senhora ministra da
Cultura, Juventude e Desporto, já anunciou e que, basicamente, visa
reconhecer os custos da insularidade”, disse hoje o governante à agência
Lusa, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, à margem da
inauguração do Polo Museológico do Coliseu Micaelense, que reabriu
ampliado e remodelado.Segundo o
governante, “fazer uma peça de teatro nos Açores ou na Madeira e trazer
eventualmente artistas de fora, ou mesmo conseguir montá-la nestas zonas
mais ultraperiféricas da Europa e periféricas do nosso continente, nas
ilhas, sobretudo nos Açores, em especial nos Açores, custa muito mais do
que fazê-lo numa zona mais metropolitana” ou numa outra zona do
continente.“E, portanto, esse é um
reconhecimento de justiça. É um ato de justiça que se pretende trazer
para as regiões autónomas, majorando aquilo que são os apoios que o
nosso sistema de apoio às artes já determina, em função deles
acontecerem e serem propostos e programados e apresentados por
companhias, neste caso das regiões autónomas”, explicou Alberto Santos.Pouco
antes, no discurso que proferiu, o secretário de Estado da Cultura
afirmou que a reforma que o Governo da República está neste momento a
desenvolver no que diz respeito ao apoio às artes, “procura criar
condições de maior equilíbrio territorial” e reconhece “a realidade
própria das regiões autónomas” através de uma majoração dos projetos
desenvolvidos.“Porque entendemos [o Governo] que a distância geográfica nunca deve transformar-se numa distância de oportunidade”, disse.Em
maio, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto anunciou que o
Governo está a rever o modelo de apoio às artes, para este passar a
incluir, entre outros, “mecanismos de atualização dos apoios em função
da inflação”.Associações representativas
do setor da Cultura pediram à tutela, no final do ano passado, que os
valores dos apoios sustentados da Direção-Geral das Artes (DGArtes), na
modalidade quadrienal, que podem agora ser renovados automaticamente,
fossem atualizados anualmente à taxa de inflação.De
acordo com a ministra Margarida Balseiro Lopes, numa audição no
parlamento, essa atualização está prevista na revisão do modelo de apoio
às artes que está a ser preparada pela tutela.Além
da “criação de um mecanismo de atualização anual dos apoios sustentados
quadrienais, indexado à evolução do índice de preços do consumidor”, a
revisão prevê também, por exemplo, “a introdução de majorações
específicas para as regiões autónomas, para colmatar custos acrescidos
por causa da insularidade”.A alteração relativa aos apoios quadrienais deve produzir efeitos no próximo ciclo (2027-2030).