Mais de um quarto dos jovens com medo do que os outros pensam de si nas redes sociais
17 de jun. de 2024, 10:30
— Lusa
As
conclusões são resultado de um inquérito a 1.500 jovens (amostra
representativa da população portuguesa entre os 18 e os 30 anos),
incluído no projeto de investigação MyGender – Práticas de Jovens
Adultos Mediados, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
(FLUC).De acordo com os resultados a que a
agência Lusa teve acesso, apesar de mais de metade dos jovens assumir
sentir-se confiante com aquilo que publica nas redes sociais (58,6%) e
não se preocupar com o que os outros pensam das suas publicações
(50,5%), apenas quase um terço assume ter a certeza de que os seus
seguidores gostam do que publica.Para além
do medo do que os outros possam pensar deles nas redes sociais, quase
um quinto (18,4%) dos inquiridos admite que lhe causa angústia ver o que
escrevem nos comentários das suas redes sociais e mais de um quarto
(26,6%) assume que se irrita a ler o que as outras pessoas publicam nas
redes sociais.Apesar disso, há também uma
parte significativa (19,7%) que admite que já insultou pessoas nas redes
sociais e 14,3% diz que quando não gosta do que lê ou vê deixa
comentários críticos.Segundo o estudo,
cerca de 28% dos jovens portugueses assume que passa “muitas horas a ver
o que outras pessoas partilham sobre a vida delas”, com quase um terço
(32,5%) a assumir que fica com ansiedade quando não tem o telemóvel.O
inquérito realizado para o projeto MyGender demonstra que o telemóvel
é, de longe, o principal meio a que têm acesso (92,8%), seguido do
computador (84,1%) e da televisão (78,5%).O telemóvel é também aquele que os jovens usam com maior regularidade (90,2% todos os dias).No
que toca às utilizações, os jovens vão sobretudo às redes sociais (mais
de 80% todos os dias), veem séries (mais de 70% diariamente ou várias
vezes por semana) e ‘playlists’ de músicas (mais de 60% todos os dias ou
várias vezes por semana).Mais de metade
dos utilizadores (59,9%) gasta entre duas a cinco horas diárias em
aplicações móveis, em que as mais usadas são as redes sociais (apesar de
as considerarem como apenas a sexta aplicação mais importante),
seguidas de email e mensagens, todas acima dos 60% de utilização diária.Se
a maior parte dos jovens utiliza as aplicações para criar ou partilhar
conteúdo ‘online’, esse é sobretudo em forma de fotografia (62,3%), com o
vídeo a representar 12,7% e o texto apenas 8,2% dos conteúdos criados.Os
jovens são uma espécie de “cobaias digitais”, que vivem “completamente
imersos na tecnologia”, à medida que ela se foi desenvolvendo, com a
realidade digital e física a pertencerem ao mesmo “contínuo”, afirmou à
agência Lusa Inês Amaral, que coordena o projeto juntamente com Rita
Basílio Simões. Segundo o inquérito, 66%
joga em aplicações móveis, 42,4% usa aplicações para controlar os seus
dados de saúde e 36% planeia o seu treino físico no mesmo meio.Do
universo da amostra do inquérito realizado no final de 2021, a maioria
afirma-se heterossexual (83,5%), solteiro (76,3%), sem filhos (83,5%) e a
viver com os pais ou familiares (63,5%).Mais
de metade tem ensino superior (53,1%), cerca de metade trabalha por
conta de outrem e um pouco mais de um quarto (28,3%) da amostra é
estudante.Para além do inquérito, o projeto incluiu entrevistas, grupos focais, diários e análise das próprias aplicações.O
MyGender afirma-se como o primeiro estudo em Portugal a investigar como
os jovens adultos se envolvem com a tecnicidade e os imaginários das
aplicações móveis.