Mais de um milhão de cancros por diagnosticar na Europa
27 de out. de 2021, 17:35
— Lusa/AOonline
Os
dados foram apresentados numa conferência `online´ pelo presidente
da OEC, Matti Aapro, que serviu para o lançamento em Portugal da
campanha europeia “Time To Act: Não deixe que a covid-19 o impeça de
enfrentar o cancro”, que pretende sensibilizar os governos para retoma
da prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.De
acordo com o responsável da OEC, que congrega 36 organizações
profissionais da área da saúde e outros 20 grupos de defesa dos doentes,
um em cada cinco doentes oncológicos ainda não está a receber o
tratamento de quimioterapia ou a intervenção cirúrgica de que necessita,
um atraso que se deveu à pandemia, que levou ainda ao cancelamento de
cerca de 100 milhões de rastreios na Europa.O
impacto da covid-19 originou também que quatro em cada 10 profissionais
de saúde da área da oncologia apresentassem sintomas de esgotamento e
três em cada 10 sinais de depressão.Nesta
conferência, a presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO)
adiantou que um recente estudo em 61 de países e envolvendo 20 mil
doentes permitiu concluir que o tipo de confinamento atingiu de forma
diferente os pacientes oncológicos.Segundo
Ana Raimundo, um em cada sete doentes oncológicos não foram submetidos à
cirurgia que estaria indicada durante o confinamento total, o que
representa 15% dos doentes.Nos
países com confinamento intermédio, o atraso ou não realização de
cirurgias chegou aos 5%, enquanto nos países que não fizeram
confinamento, mas adotaram algumas restrições, foi inferior a 1%.Em
relação a Portugal, a presidente da SPO alertou que é necessário um
maior conhecimento dos dados de atrasos e cancelamentos específicos de
cirurgias oncológicas.“É
o conhecimento destes dados que nos pode ajudar a um planeamento e
organização coordenada dos cuidados de saúde”, salientou Ana Raimundo,
que defendeu ainda a “criação de uma via de cirurgia eletiva para o
cancro”.“Não
podemos tratar a cirurgia oncológica da mesma forma que outro tipo de
cirurgias. Nem mesmo dentro da cirurgia oncológica, todas são
prioritárias ou fundamentais”, salientou a especialista.Numa
mensagem gravada, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde reconheceu
que o número de pessoas rastreadas no âmbito dos três programas – mama,
colo do útero e cólon e reto – sofreu em 2020 uma quebra de cerca de
50%, mas assegurou que a recuperação já está a decorrer.“Verifica-se
um aumento do número de pessoas convidadas e rastreadas, com particular
destaque para o rastreio do cancro do cólon e reto, que duplicou o
número de utentes rastreados em comparação com 2019”, assegurou Lacerda
Sales.O
secretário de Estado adiantou ainda que a Estratégia Nacional Contra o
Cancro 2021-2030 “está a ser ultimada e vai estar totalmente alinhada
com o plano europeu”, incidindo em quatro eixos: a prevenção, a deteção
precoce, o diagnóstico e tratamento e a melhoria da qualidade de vida.A
covid-19 provocou pelo menos 4.960.994 mortes em todo o mundo, entre
mais de 244,46 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o
início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência
France-Presse.Em
Portugal, desde março de 2020, morreram 18.144 pessoas e foram
contabilizados 1.087.245 casos de infeção, segundo dados da
Direção-Geral da Saúde.A
doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado
no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com
variantes identificadas em vários países.