Mais de três mil alunos do 1.º ciclo sem professor
13 de nov. de 2025, 12:55
— Lusa/AO Online
A pouco mais de um mês das
férias do Natal, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) olhou
para os pedidos de professores de todas as escolas e concluiu que há
neste momento “480 horários” por preencher, dos quais 142 são para o 1.º
ciclo.Há “133 turmas do 1.º ciclo” sem
professor titular, segundo contas da Fenprof que estima que haja “3.325
alunos afetados”, disse à Lusa o secretário-geral da federação José
Feliciano Costa.A Fenprof aponta a região
de Lisboa como a mais problemática, com 76 horários vazios. Seguem-se
escolas em Setúbal, com 29 horários por preencher, e Faro com 19.Nas escolas primárias de Beja, faltam professores para preencher seis horários e em Leiria há outros cinco horários vazios.Olhando
apenas para a zona de Lisboa, destacam-se os agrupamentos Almeida
Garrett, na Amadora, onde a direção escolar continua à procura de
professores para oito horários, e na Vergílio Ferreira, em Lisboa, com
seis horários disponíveis nas plataformas. A
dificuldade em contratar docentes sente-se diariamente nas escolas. A
direção escolar do Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira contou à
Lusa que abre vagas assim que falha um professor mas depois são muito
poucos os que concorrem aos lugares.Na
Escola Básica Luz-Carnide, que pertence ao agrupamento, os meninos do
1.º ano ficaram sem professora titular pouco depois de terem começado as
aulas. A docente, que na primeira reunião com os pais anunciou que “não
iria ficar com a turma”, meteu baixa passadas duas semanas, segundo
relatos de encarregados de educação.A
direção escolar tentou, sem sucesso, contratar um novo professor. A
escola abriu a vaga, mas até hoje “não tem havido candidatos ou estes
não detêm a habilitação necessária. O referido horário continua a
concurso, até que exista docente que substitua a professora titular de
turma”, explicou à Lusa a subdiretora do Agrupamento de Escolas Virgílio
Ferreira.A solução encontrada foi
recorrer à coordenadora de estabelecimento, mas no final do mês passado,
também esta docente entrou de baixa médica. Os alunos são agora
“distribuídos pelas diferentes turmas da escola”, acrescentou a
subdiretora do agrupamento Ana Rita Duarte.A
Fenprof tem alertado para o problema de encontrar professores para o
1.º ciclo, porque ao contrário do que acontece nos outros níveis de
ensino, aqui só podem ocupar estes lugares docentes profissionalizados. Nos
outros níveis de ensino, as escolas estão a aceitar licenciados com
formação na área para a qual se disponibilizam para dar aulas, ou seja,
não são professores profissionalizados.Este
é o reflexo da pouca atratividade da carreira e envelhecimento da
classe docente, que levou a que o número de saídas por aposentação
fosse muito superior às entradas de jovens professores.Há
cerca de duas semanas, o ministro da Educação disse no parlamento haver
quase 500 agrupamentos de escolas com falta de professores para alunos
de todos os níveis de ensino.Fernando
Alexandre escolheu o problema da carência de professores para iniciar a
sua apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2026, que prevê
“gastar mais 118 milhões de euros” com medidas de combate aos alunos
sem aulas.Para atrair docentes, o ministro
recordou medidas em curso, como o apoio à deslocação para quem fica
longe de casa, um novo concurso externo extraordinário para as escolas
com mais dificuldades em contratar ou a possibilidade de os docentes
prolongarem a carreira para além da idade de aposentação. Tanto
para o ministério como para os sindicatos, a solução deverá passar
também por uma revisão do Estatuto da Carreira Docente e por condições
mais atrativas, como uma progressão mais rápida e ordenados mais
elevados.