Mais de mil sismos este mês nos Açores mas situação não é anormal
14 de nov. de 2019, 11:00
— Lusa/AO Online
"Neste momento, já
passámos um milhar, mais de mil eventos registados. É uma zona [ao largo
do Faial] que com alguma recorrência tem incrementos da atividade
sísmica. Só este ano, 2019, este corresponde ao terceiro incremento da
atividade sísmica neste setor. Não estamos a experienciar, com este
incremento da atividade, algo que é diferente ou raro de acontecer",
assinalou Rui Marques.Em declarações à
agência Lusa, o investigador apontou que esta não é uma situação
"anormal", tendo em conta que acontece "periodicamente".O
presidente do CIVISA disse ainda que o início desta "crise sísmica"
ocorreu em 03 de novembro, numa zona identificada como "sismogénica"
situada num cumprimento de 25 a 35 quilómetros a oeste da ilha do Faial.
Para Rui Marques, o número de eventos
registados e sentidos pela população são duas "características
diferenciadoras" que acontecem com "alguma frequência", mas estão acima
dos "valores de referência"."Acontece com
alguma frequência, mas não são aqueles que são os valores de referência.
Temos duas características diferenciadoras nesta crise sísmica. Por um
lado, o número de eventos num tão curto espaço de tempo, por outro o
número de eventos que foi sentido pela população até ao momento, que são
19", afirmou.O presidente do CIVISA
frisou ainda que os Açores, por se situarem na "junção tripla das placas
tectónicas", registam "muita sismicidade", existindo "de quando em vez"
algumas zonas do arquipélago com "mais atividade"."Quem
acompanha periodicamente o mapa de sismicidade que disponibilizamos à
população, se for uma pessoa mais atenta, vai percebendo que, de quando
em vez, vão havendo algumas zonas do arquipélago que têm mais atividade.
Neste momento, esta zona ao largo do Faial é a zona com mais
atividade", destaca. Rui Marques apela à
população para manter a "serenidade", até porque a crise sísmica "está a
correr relativamente distante" do Faial."As
pessoas devem manter a serenidade, fazer a sua vida normal e estar
atentas às informações oficiais. Esta crise sísmica está a ocorrer
relativamente distante da ilha do Faial, não estamos a falar numa crise
sísmica próxima da ilha", ressalvou.O
presidente do CIVISA destacou ainda que não é possível avançar com uma
data para o fim da crise sísmica porque é "extremamente imprevisível":
"é impossível prever se vai acabar daqui a dois dias ou dois meses",
frisou.Durante este período, o sismo mais
intenso ocorreu a 05 de novembro, teve magnitude de 4,4 na escala de
Richter e foi sentido nas três ilhas do triângulo: Faial, Pico e São
Jorge.Este sismo de magnitude 4,4 foi
classificado com a intensidade de IV (segundo a escala de Mercalli
modificada, que vai de I a XII, aumentando conforme o grau de
intensidade) nas freguesias de Matriz, Angústias, Conceição e
Ribeirinha, concelho de Horta (ilha do Faial), e nas freguesias de Santo
António e São Roque do Pico, concelho de São Roque do Pico (ilha do
Pico).Os sismos são classificados segundo a
magnitude, de acordo com a escala de Richter, como micro (menos de
2,0), muito pequeno (2,0-2,9), pequeno (3,0-3,9), ligeiro (4,0-4,9),
moderado (5,0-5,9), forte (6,0-6,9), grande (7,0-7,9), importante
(8,0-8,9), excecional (9,0-9,9) e extremo (quando superior a 10).