Mais de metade dos oceanos pode já estar afetada pelas alterações climáticas
17 de ago. de 2020, 16:49
— Lusa/AO online
O
estudo, publicado na revista “Nature Climate Change”, estima que entre
20% e 55% dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico tenham agora
temperaturas e níveis de sal muito alterados, prevendo-se que as
percentagens subam para 40% a 60% até meados do século, e para 55% a 90%
até 2080. Para o estudo, os cientistas
usaram modelos e observações climáticas em zonas mais profundas dos
oceanos do mundo para calcular, pela primeira vez, como estão as
alterações dos níveis das temperaturas e do sal (bons indicadores do
impacto das alterações climáticas provocadas pelo homem) a sobrepor-se
às variações naturais. E concluíram
também que os oceanos do hemisfério sul estão a ser mais rapidamente
afetados pelas alterações climáticas do que os do hemisfério norte, com
mudanças detetadas desde os anos 1980.“Temos
vindo a detetar alterações da temperatura dos oceanos à superfície,
devido às alterações climáticas, há já várias décadas, mas as alterações
em vastas áreas do oceano, particularmente em áreas mais profundas, são
muito mais difíceis de detetar”, disse Eric Guilyardi, da Universidade
de Reading (Reino Unido) e do Laboratório de Oceanografia e Clima de
Paris, explica, citado na publicação. Yona
Silvy, da Universidade de Sorbonne, em Paris, responsável pelo estudo,
explicou que se pretendeu perceber se os níveis de temperatura e de sal
eram suficientemente elevados para superar a variabilidade natural das
áreas mais profundas. Uma descida ou subida acima dos picos normais
afeta a circulação oceânica global e a subida do nível da água do mar
representa uma ameaça para as sociedades humanas e para os ecossistemas,
disse.Segundo os cientistas, as
alterações climáticas são mais difíceis de detetar nas partes mais
profundas e isoladas dos oceanos, onde o calor e o sal se propagam a um
ritmo mais lento.Yona Silvy e os restantes
investigadores usaram modelos para perceber que mudanças existiam acima
da variabilidade natural e dizem que as mudanças mais rápidas e mais
antigas nos oceanos do hemisfério sul mostram a importância dessa região
para o armazenamento global do calor e do dióxido de carbono.