Mais de metade dos 3,75 ME de dívida à CUF/Açores ainda está por pagar
14 de mai. de 2025, 09:51
— Carolina Moreira
O diretor da CUF/Açores revelou que mais de metade da dívida de
3,75 milhões de euros (ME) da Região ao hospital privado devido aos
serviços prestados após o incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo
(HDES) ainda está por pagar. Apesar disso, Giovanni Nigra garantiu que o
processo está a seguir os “trâmites normais” das dívidas vencidas.“Creio
que seja mais de 50%, mas estamos a acompanhar com bastante
regularidade e está a cumprir os trâmites normais das dívidas vencidas.
Portanto, estamos confortáveis em relação a esse tema”, revelou.Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito às causas do incêndio no
HDES, o diretor da CUF/Açores adiantou que, além dos 3,75 ME de dívida,
ainda estão a ser apurados “custos extraordinários” relacionados com a
“manutenção da infraestrutura e equipamentos”, estimando que deverão
rondar os “60 mil euros”.“Mas há ainda orçamentos a serem feitos por fornecedores, ou seja, não está ainda estruturado o valor final”, disse.Na
ocasião, Giovanni Nigra recordou que a CUF optou por não cobrar os
“primeiros dez dias” de colaboração com o HDES e a Secretaria Regional
da Saúde, esclarecendo que, após esse período, a dívida foi apurada pela
“transferência de custos” que teve como base a “lógica de custos
adicionais”, ou seja, os custos acrescidos ao normal funcionamento da
CUF/Açores.Segundo o diretor do hospital privado, o protocolo com o
Governo Regional foi fechado a 18 de junho de 2024 e terminou a 10 de
fevereiro de 2025, não existindo qualquer outro acordo firmado com o
executivo ou com o HDES.Questionado pelos deputados sobre um
possível contacto para prestação de serviços na recuperação de listas de
espera, Giovanni Nigra esclareceu que, “nos últimos tempos, não” foi
abordado, apesar da CUF ter “capacidade” para isso.“Nos últimos
tempos, não. Nós, enquanto CUF, estamos aqui numa lógica de
complementaridade e de colaboração naquilo que for necessário. Portanto,
existindo propostas ou pedidos de informação, cá estaremos para
responder”, garantiu na comissão.O diretor da CUF/Açores deixou
ainda claro que existem desde sempre “boas relações institucionais”
tanto com o Governo como com o HDES e fez um “balanço positivo” da
colaboração após o incêndio, apesar de algumas “situações difíceis de
gerir”, como foi o caso do funcionamento das urgências partilhadas entre
os dois hospitais.Giovanni Nigra garantiu ainda que a CUF se
mostrou disponível para “ajudar durante o tempo que fosse necessário” e
sem qualquer “vantagem económico-financeira”, mas mantendo a sua oferta
em saúde que acabou por ser “prejudicada” pela colaboração, uma vez que a
atividade do hospital privado decresceu durante a parceria com o HDES,
assegurou na comissão de inquérito.