Mais de meio milhão de doentes aguardava em dezembro primeira consulta hospitalar
2 de mai. de 2023, 08:28
— Lusa/AO Online
Os dados
são da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e constam numa informação
sobre a monitorização dos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde
(SNS) no segundo semestre de 2022, em particular nas primeiras consultas
hospitalares e na atividade cirúrgica.Segundo
a ERS, em 31 de dezembro havia 581.909 utentes à espera da primeira
consulta da especialidade num hospital do SNS, a pedido de um médico de
um centro de saúde, sendo que quase metade (47%) desses utentes
aguardava pela consulta acima do tempo máximo permitido.Nestas consultas foram excluídas as consultas de cardiologia e as consultas com suspeita ou confirmação de doença oncológica. Ao
todo foram realizadas, no segundo semestre do ano passado, 605.035
primeiras consultas de especialidade hospitalar a pedido dos centros de
saúde, representando um aumento de 13% face a igual período de 2021.Contudo, o tempo de espera foi ultrapassado em cerca de 43% das consultas efetuadas.Numa
nota à comunicação social, a ERS ressalva que, devido a
"constrangimentos decorrentes dos sistemas informáticos" dos hospitais,
não foram consideradas na análise as primeiras consultas da
especialidade realizadas a pedido dos hospitais. De
acordo com os dados da ERS, no final do segundo semestre do ano passado
1.258 pessoas aguardavam a primeira consulta hospitalar com suspeita ou
confirmação de doença oncológica, com a maioria (70%) a esperar mais do
que o tempo regulamentado. No mesmo
período houve um aumento de 14% destas consultas, para um total de
9.301, face ao segundo semestre de 2021, mas o tempo máximo de espera
foi ultrapassado em cerca de 46% das consultas realizadas. Em
31 de dezembro, 6.923 doentes com cancro aguardavam cirurgia, sendo que
a espera era superior ao limite legal em 24% dos casos.No
segundo semestre de 2022 foram feitas 29.540 cirurgias oncológicas
programadas - mais 3% face ao período homólogo de 2021 - mas cerca de
22% dos doentes operados foram atendidos com tempos de espera superiores
ao definido por lei.Na especialidade de
cardiologia, 15.406 doentes aguardavam em 31 de dezembro a primeira
consulta num hospital, com a maioria (85%) a esperar mais do que o tempo
regulamentado. Um total de 2.880 doentes
cardíacos estava à espera de ser operado, sendo que para metade (51%) o
tempo definido por lei para fazer a cirurgia fora ultrapassado.Entre
junho e dezembro de 2022 foram realizadas 19.587 primeiras consultas de
cardiologia nos hospitais do SNS - um aumento de 12% face ao segundo
semestre de 2021 - mas o tempo de espera foi superado na grande maioria
das consultas (cerca de 89%). A ERS indica
que foram feitas 4.093 cirurgias cardíacas programadas - uma diminuição
de 1% em relação ao segundo semestre de 2021 - e que, em 28% dos casos,
o tempo de espera foi ultrapassado.Excluindo
as cirurgias cardíacas e oncológicas, foram realizadas nos hospitais
públicos 254.205 cirurgias programadas no segundo semestre de 2022 - um
aumento de 4% comparativamente ao período homólogo de 2021 - mas cerca
de 11% dos doentes tiveram de esperar acima do limite legal.Em
31 de dezembro, contudo, 189.358 doentes ainda esperavam por uma
cirurgia programada, 23% dos quais com uma espera superior ao tempo
máximo regulamentado.A Entidade Reguladora
da Saúde concluiu, ainda, que nos centros de saúde o tempo de espera
foi ultrapassado entre 13,6% e 23,8% nas consultas ao domicílio e entre
2,4% e 10,4% nos pedidos de renovação de medicação.