Mais de dois mil contributos sobre mudanças às disciplinas no ensino obrigatório
Hoje 12:39
— Lusa/AO Online
Terminada
a 1.º fase da consulta pública relativa às Aprendizagens Essenciais
(AE) a todas as disciplinas curriculares do ensino básico e secundário,
“foram recebidos 2.078 contributos na plataforma, que resultam de 919
pessoas/entidades”, disse à Lusa o Ministério da Educação, Ciência e
Inovação (MECI).Dois dias após o fim do
processo, a tutela avança que “os resultados apontam para uma validação
global das opções adotadas, coexistindo com recomendações relevantes que
poderão sustentar o aperfeiçoamento das Aprendizagens Essenciais”.Dos
919 participantes, a maioria deu opiniões sobre disciplinas do ensino
básico (460), enquanto quase um terço se focou no ensino secundário
(355), já 104 participantes deram contributos para os dois níveis de
ensino.Os professores em nome individual
foram os que mais contribuíram nesta fase do processo, tendo apresentado
1.077 contributos, seguindo-se os “grupos de docentes” (496
contributos), segundo dados avançados à Lusa pelo gabinete de imprensa
do MECI.Os investigadores e académicos
deram 92 contributos, seguindo-se a participação dos encarregados de
educação (47 contributos), direções escolares (18) e escolas (22).As
disciplinas que suscitaram maior número de contributos foram as de
Português (486), Geografia (135), Matemática (129), Ciências Naturais
(106) e Tecnologias de Informações Comunicação (95).As
mudanças propostas à disciplina de Português foram as mais polémicas,
até agora, com o fim da obrigatoriedade de ler obras completas de José
Saramago no ensino secundário.A versão
preliminar revista das aprendizagens essenciais (AE) esteve em consulta
pública durante o último mês para recolher contributos da comunidade
educativa, especialistas e sociedade.Nesta
"etapa de aperfeiçoamento e validação", o Governo procurou recolher
contributos para “reforçar a qualidade da revisão curricular", explicou a
tutela no inicio do processo.Os
contributos recebidos serão agora alvo de análise, pelo EduQA [Instituto
de Educação, Qualidade e Avaliação], “com vista à sua integração nos
documentos curriculares”. Além disso, “ao longo deste período, serão
também auscultados peritos, de forma a reforçar a consistência técnica e
científica do trabalho desenvolvido", referiu o MECI.O
ministério tutelado por Fernando Alexandre recordou ainda que a revisão
das AE se insere "numa reforma mais ampla do currículo, que inclui a
atualização dos conteúdos curriculares, a revisão da matriz curricular, a
inserção da dimensão digital e de Inteligência Artificial de forma
transversal nas aprendizagens, e a reorganização do ensino básico".Estes
serão os aspetos a ser trabalhados em seguida e o objetivo é que as
alterações entrem gradualmente em vigor a partir do ano letivo de
2027/2028.Ainda em janeiro, o ministro
Fernando Alexandre tinha anunciado que durante o primeiro trimestre
entraria em consulta pública a revisão das AE.O
processo de revisão das AE estava em curso desde 2025 e, em julho, o
Governo concluiu a revisão dos documentos orientadores para os 1.º, 3.º,
5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade.Numa
segunda fase, durante o primeiro trimestre de 2026, seriam submetidas a
consulta pública as AE dos restantes, mas o executivo vai afinal levar a
debate os conteúdos lecionados em todos os anos de escolaridade, após
decidir alargar o processo à matriz curricular, tendo em conta temas
relacionados com a digitalização e a inteligência artificial, face ao
momento "de grande alteração tecnológica" que se vive, explicou o
ministro em janeiro.