Mais de dez horas para debater na generalidade o primeiro orçamento do Governo PSD/CDS-PP
OE2025
29 de out. de 2024, 16:51
— Lusa/AO Online
Segundo o Regimento da
Assembleia da República, o debate inicia-se e encerra-se com uma
intervenção do Governo, estando a abertura a cargo do primeiro-ministro,
Luís Montenegro, na quarta-feira.Seguem-se
pedidos de esclarecimento de todas as bancadas, com resposta
individual, iniciando-se pelo maior partido da oposição, o PS, a que se
seguem os restantes partidos por ordem decrescente (PSD, Chega, IL, BE,
PCP, Livre, CDS-PP e PAN).No primeiro dia,
estão previstos 257 minutos de debate, grelha idêntica à de
quinta-feira para a fase de discussão, mas Governo, PSD e PS podem
transferir para o dia seguinte ou antecipar até ao máximo de 30% do seu
tempo, enquanto os restantes partidos podem gerir livremente os seus
tempos.No termo do debate, segue-se uma
fase de encerramento, com mais 109 minutos para todas os partidos e para
o Governo, sendo o documento votado em seguida.O
PS já anunciou a abstenção que permitirá a viabilização do documento na
generalidade, com os votos favoráveis de PSD e CDS-PP, mas todos os
restantes partidos da oposição deverão votar contra.A
abstenção do PS foi anunciada a 17 de outubro, depois de terem
terminado sem acordo as negociações com o Governo sobretudo devido ao
IRC, cuja descida generalizada foi recusada pelos socialistas mas o
executivo insistiu em descer um ponto percentual no próximo ano (metade
dos dois inicialmente previstos). Na outra
matéria central nas negociações, o IRS jovem, a formulação no OE2025
acabou por ficar mais próxima da atual desenhada pelo anterior governo
PS.O primeiro-ministro, o ministro das
Finanças e outros membros do Governo têm defendido que o OE2025 “é o
primeiro que não aumenta qualquer imposto” e desce alguns e apelado a
que a fase da especialidade “não desequilibre” o valor previsto pelo
Governo para o excedente orçamental, 0,3% do PIB.O
secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, já prometeu que vai fazer
“alterações cirúrgicas” na especialidade, assegurando que não pretende
transformar o documento, mas outros partidos, como o Chega e IL, já
prometeram confrontar o Governo nessa fase do debate com propostas que
faziam parte do programa eleitoral da AD.As
acusações de que o Governo apresentou, no plano orçamental entregue em
Bruxelas, metas diferentes das anunciadas pela AD na campanha eleitoral
para o crescimento e de que este documento aumenta as cativações – duas
críticas rejeitadas pelo ministro das Finanças – deverão também marcar o
debate. Os líderes do PSD da Madeira e
dos Açores, Miguel Albuquerque e José Manuel Bolieiro, já exigiram
compromissos ao primeiro-ministro para que os cinco deputados das ilhas
votem a favor do documento, uma questão que deverá ficar para a fase da
especialidade.No dia 04 de novembro
arranca essa apreciação na especialidade, na Comissão de Orçamento,
Finanças e Administração Pública (COFAP), com audições de todos os
ministros e também de algumas instituições e organismos como o Tribunal
de Contas, o Conselho Económico e Social e o Conselho das Finanças
Públicas.As audições terminam a 15 de
novembro, dia que marca também o final do prazo para os partidos
apresentarem as suas propostas de alteração ao documento.Segue-se
depois, de 22 a 29 de novembro, a discussão no plenário da parte da
manhã e as votações na COFAP à tarde, com a votação final global marcada
para dia 29.No OE2025, o Governo prevê um
crescimento económico de 2,1% no próximo ano, um excedente orçamental
de 0,3% e que a dívida pública se reduza para 93,3% do PIB.