Mais de 70 migrantes morreram no mar enquanto tentavam chegar às Canárias
Migrações
Hoje 12:13
— Lusa/AO Online
A embarcação foi resgatada esta madrugada, depois de 26 dias à deriva no mar, com apenas 44 sobreviventes e cinco corpos a bordo, avançou a agência de notícias EFE, citando dados do Serviço de Resgate Marítimo espanhol.O barco foi localizado por uma das aeronaves do Serviço de Resgate Marítimo na quarta-feira, pelas 18:40 (mesma hora em Lisboa), a 120 quilómetros da Grande Canária, e recebeu assistência do navio "Guardamar Urania" durante a madrugada.O navio de resgate foi obrigado a abandonar os cinco corpos a bordo devido ao mar agitado e à necessidade urgente de prestar assistência médica aos sobreviventes."Estavam como cadáveres ambulantes, como ‘zombies’. Estavam a desmaiar, incapazes de manterem-se em pé. A maioria estava a alucinar. Alguns até nos tentaram agredir", disse um dos socorristas à EFE. Os marinheiros do navio de resgate contabilizaram cinco mortos a bordo da embarcação, todos homens, mas não descartaram a possibilidade de haver mais, pois ainda estava escuro, o fundo da embarcação estava alagado e as ondas batiam constantemente contra o casco.A ONG espanhola Caminando Fronteras afirmou que a Guarda Civil confirmou que o barco tinha inscrições no casco que correspondem a uma embarcação que, segundo os seus registos, partiu da Gâmbia em 07 de agosto com 127 ocupantes, incluindo quatro mulheres e um bebé.Estes números coincidem com o testemunho dos sobreviventes, que disseram à Cruz Vermelha, durante o socorro prestado no cais de Arguineguín, que tinham partido para as Canárias "com mais de uma centena de pessoas", muitas das quais morreram durante a travessia.Durante o regresso do "Guardamar Urania" à Grande Canária, o Serviço de Salvamento Marítimo teve de enviar um helicóptero para transportar três sobreviventes para hospitais em Las Palmas devido ao precário estado de saúde.Os restantes chegaram a terra pelas 03:30, exaustos e mal conseguindo estar de pé. Segundo informações iniciais, ainda provisórias, os sobreviventes são todos homens da Gâmbia e do Mali.O serviço de emergência das Canárias disse que seis deles foram hospitalizados com desidratação e desorientação, assim como sintomas de ingestão de água do mar. Além disso, dois dos internados apresentavam outros ferimentos.