Mais de 70 eurodeputados pedem sessão plenária extraordinária sobre Palestina

Médio Oriente

Hoje 17:17 — Lusa/AO Online

O pedido partiu da iniciativa do eurodeputado do PCP João Oliveira, que juntou 74 assinaturas de eurodeputados dos grupos políticos europeus dos Socialistas e Democratas (S&D), dos Verdes (Greens/EFA) e da Esquerda (GUE/NGL), entre os quais os portugueses Catarina Martins (BE) e Bruno Gonçalves (PS).No pedido, dirigido à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, os 74 eurodeputados defendem que a União Europeia (UE) precisa de assumir “uma posição de condenação da política de ocupação, colonização e genocida por parte de Israel e uma ação efetiva e consequente em prol do cumprimento do direito internacional, nomeadamente da concretização do Estado da Palestina como há décadas determinam as resoluções da ONU”.“A inação das instituições da UE face à política de ocupação, colonização e genocida por parte de Israel contra o povo palestiniano é politicamente e moralmente inaceitável e indefensável”, afirmam.Os eurodeputados pedem assim a Roberta Metsola que convoque, com caráter de urgência, uma sessão plenária extraordinária do Parlamento Europeu, “que tenha como ponto único o dramático agravamento da situação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia em consequência da sistemática política de violência por parte de Israel”.“A realização não é apenas necessária, é imperativa! O Parlamento Europeu e a UE não podem continuar em silêncio perante as sistemáticas violações do direito internacional por parte de Israel”, defendem, acrescentando que “este debate de urgência no Parlamento Europeu é urgente, inadiável e uma exigência de justiça”.Segundo o regimento do Parlamento Europeu, a presidente da assembleia pode convocar uma sessão plenária extraordinária “a pedido da maioria dos membros que compõem” o hemiciclo, da Comissão Europeia ou do Conselho Europeu, “após consultar a Conferência dos Presidentes”.No pedido dirigido à presidente do Parlamento Europeu, este grupo de eurodeputados considera que a “continuação da agressão levada a cabo por Israel contra o povo palestiniano está a agravar a já dramática situação na Faixa de Gaza, assim como a situação na Cisjordânia, como têm vindo a denunciar diversas entidades, incluindo agências da ONU”.“Israel continua os ataques militares contra a população palestiniana na Faixa de Gaza, a impor um bloqueio à entrada da urgente e necessária ajuda humanitária, a metodicamente destruir infraestruturas básicas e a ocupar parte deste território palestiniano”, salientam. Já na Cisjordânia, prosseguem os eurodeputados signatários, “os colonos e as forças militares israelitas continuam a atacar a população palestiniana e as autoridades israelitas decidem ampliar os colonatos”.Os eurodeputados recordam ainda que, recentemente, o parlamento israelita aprovou uma lei que “aplica a pena de morte a palestinianos condenados por tribunais militares israelitas”, acusando ainda Israel de atacar quem “procura fazer chegar ajuda humanitária à população palestiniana na Faixa de Gaza”.“A violência lançada por Israel contra a população palestiniana atinge proporções inauditas, que configuram um autêntico genocídio, como declarado pelo Tribunal Internacional de Justiça”, referem.Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.Em retaliação dos ataques do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.