Mais de 600.000 pessoas abandonaram Kiev desde 9 de janeiro
Ucrânia
Hoje 17:46
— Lusa/AO Online
“Nem todos têm a possibilidade de deixar a cidade, mas neste momento a população está a diminuir”, disse Vitali Klitschko, indicando que mais de meio milhão de pessoas deixaram Kiev, que tem cerca de 3,6 milhões de habitantes.Os mais recentes ataques russos têm visado infraestruturas elétricas ucranianas afetando a distribuição elétrica e o próprio parlamento ucraniano ficou sem eletricidade.“Após um novo ataque com mísseis e drones russos, cidades ucranianas ficaram sem eletricidade, água e aquecimento. A Rada [parlamento ucraniano] também está atualmente sem esses serviços essenciais", afirmou o presidente da assembleia, Ruslan Stefantchuk, nas redes sociais."A temperatura ronda os 20 °C negativos", disse Klitschko, acrescentando que o Presidente russo, Vladimir Putin, "está a usar isso para quebrar a resistência, mergulhar toda a gente na depressão e criar tensão na sociedade".O autarca da capital ucraniana voltou a exortar as pessoas que dispunham de outro alojamento a abandonarem Kiev, a fim de reduzir a pressão sobre a rede energética da cidade.A 9 de janeiro, metade dos edifícios residenciais, ou seja, cerca de 6.000 edifícios, ficaram sem aquecimento, água e eletricidade, levando o presidente da Câmara a apelar à população para que abandonasse temporariamente a cidade.Numa crítica dirigida a Klitschko, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu às autoridades municipais para "não fugirem dos problemas, mas resolvê-los, especialmente onde há recursos para isso, como em Kiev".Os longos cortes de energia elétrica tornaram-se norma desde que as forças russas começaram a atacar sistematicamente as infraestruturas energéticas ucranianas.Alguns habitantes da capital afirmam agora que têm apenas uma ou duas horas de eletricidade por dia. Várias lojas e restaurantes estão encerrados devido aos cortes de energia, os semáforos estão desativados e a iluminação pública à noite foi desligada em alguns bairros."Imagine que não há eletricidade nem água na sua casa. Não pode tomar banho. A situação é muito crítica", resumiu Klitschko numa entrevista à agência de notícias France-Presse (AFP)."Estamos a lutar para sobreviver e para fornecer serviços à população - aquecimento, água, eletricidade", acrescentou.A estratégia da Rússia de bombardear as instalações elétricas ucranianas tem sido repetida durante o período de inverno desde o início da ofensiva militar contra o país vizinho.A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).