Mais de 60 afogamentos de crianças e jovens entre 2000 e 2024
Hoje 12:24
— Lusa/AO Online
Entre "2020 a 2024, 63 crianças
e jovens perderam a vida por afogamento e 57 necessitaram de
internamento hospitalar. Adicionalmente, o 112 reencaminhou para o
CODU/INEM um total de 588 ocorrências médicas relacionadas com
afogamentos e acidentes de mergulho", refere a Guarda Nacional
Republicana e Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI),
num comunicado conjunto.A GNR e a APSI
avançam que na próxima semana vão lançar uma nova campanha para combater
o afogamento infantil, tendo em conta “o aumento preocupante da
mortalidade nos últimos anos”, maioritariamente em rios, albufeiras e
locais não vigiados, após uma “redução expressiva de mortes e
internamentos nas últimas duas décadas”."Se,
numa perspetiva de longo prazo (2002-2024), o país registou um
decréscimo acentuado no número de mortes (de 28 para 8) e de
internamentos (de 49 para 13) o cenário recente exige um estado de
alerta redobrado", precisa a nota. Os
balanços com dados oficiais são feitos de dois em dois anos, como
explicou à agência Lusa fonte da APSI, daí o balanço hoje divulgado ser
entre 2020 e 2024. De acordo com o mais
recente balanço da APSI, entre 2020 e 2022 o número médio de mortes
anuais por afogamento fixou-se em 15, o que representa mais do dobro da
média registada no triénio anterior (7,3).“Embora
os dados oficiais de 2023 (10 mortes) e 2024 (8 mortes) mostrem uma
melhoria, os valores mantém-se acima do mínimo histórico alcançado no
período de 2017 a 2019”, sublinha a associação.Segundo dados preliminares da APSI, baseados na imprensa, no ano passado registaram-se 33 casos de afogamento e 12 mortes. Os
acionamentos através do 112/ INEM para afogamentos e acidentes de
mergulho ultrapassam as 100 ocorrências anuais desde 2020, indicam os
dados das duas entidades.A análise
detalhada por faixas etárias evidencia vulnerabilidades distintas ao
longo do crescimento, com 20 mortes e 21 internamentos dos zero aos
quatro anos, com cinco mortes e oito internamentos dos cinco aos nove
anos.Dos 10 aos 14 anos foram indicadas 10
mortes e 10 internamentos, enquanto dos 15 aos 19 anos foram registadas
28 mortes e 18 internamentos.Segundo a
APSI, registou-se uma redução de casos em poços e tanques, mas
observou-se “um crescimento continuo de acidentes em planos de água
naturais, como rios, ribeiras, lagoas e praias”. Estes locais afetam
predominantemente os jovens dos 10 aos 14 anos e dos 15 aos 19 anos.Face
a este cenário, a GNR e a APSI, em ações de sensibilização às
populações, apelam a que a segurança em torno da água não seja
negligenciada, alertando que “o afogamento é rápido, silencioso e pode
acontecer em muito poucos centímetros de água”. A
supervisão ativa e constante por parte dos adultos, a instalação de
barreiras verticais em piscinas domésticas, a vigilância por
profissionais qualificados (nadadores-salvadores) de zonas de banho e
mergulho e a existência de equipamento de socorro junto a planos de água
não vigiados continuam a ser as ferramentas mais eficazes para salvar
vidas, alertam ainda.