Mais de 40 casos de violência sexual são “ponta do icebergue”
Ucrânia
28 de nov. de 2022, 15:36
— Lusa/AO Online
Numa
intervenção esta segunda-feira na Conferência sobre a Prevenção da Violência Sexual
em Conflitos, Zelenska revelou que a Procuradoria-Geral da Justiça da
Ucrânia está a fazer “um excelente trabalho na coordenação já da
investigação deste tipo de crimes”. “Mais
de 40 processos criminais sobre violência sexual cometida durante a
guerra em larga escala iniciada pelos russos” já foram iniciados,
acrescentou a esposa do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky,
admitindo que este número "é apenas a ponta do icebergue”. "O
número real é muito mais alto, e agora estabelecer o número é
impossível porque ninguém que enfrentou estes crimes horríveis quer
denunciar. (…) Infelizmente, as sobreviventes permanecem muitas vezes em
silêncio. Mas quando estiverem prontas para falar, temos de assegurar
de que têm acesso a assistência jurídica profissional gratuita e a
qualquer tipo de apoio de que possam necessitar”, defendeu. Olena
Zelenska disse estar a ser preparado, em cooperação com o Fundo Mundial
de Sobreviventes, um programa provisório para garantir a compensação
das vítimas a longo prazo. "Esta é uma
mensagem para todos os russos: vocês vão pagar durante anos por cada
pessoa que tenha sido sujeita a estes crimes”, garantiu.A
primeira-dama ucraniana falava na abertura da conferência, que reune
representantes de cerca de 70 países hoje e terça-feira na capital
britânica para discutir formas de combater este tipo de crimes em países
como a Ucrânia, Etiópia ou Colômbia.A
prémio Nobel da Paz de 2018, Nadia Murad, iraquiana que foi escrava
sexual do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), afirmou que "a resposta
internacional não tem sido adequada” e que a comunidade internacional
não deu prioridade à violência sexual. "Por
vezes parece mais fácil falar das limitações da política e dos recursos
em vez de nos concentrarmos no que podemos fazer. E acredito que a
comunidade internacional pode fazer mais”, declarou. O
procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, admitiu
ser necessário "encontrar formas de falar menos e fazer mais”. "Os
crimes sexuais baseados no género não são apenas alegações de violação
ou violência sexual, não apenas contra raparigas e mulheres e rapazes e
homens, mas abrangem uma variedade de crimes, incluindo a perseguição do
género. Estamos a tentar tirar as políticas do papel e implementá-las
no TPI de forma mais eficaz”, garantiu. Na
abertura da conferência, o ministro dos Negócios Estrangeiros
britânico, James Cleverly, anunciou um novo pacote de financiamento de
até 12,5 milhões de libras (14,5 milhões de euros) para ajudar vítimas a
ajudar vítimas de violência sexual a processar os responsáveis. O
Reino Unido vai também dar separadamente 3,45 milhões de libras (quatro
milhões de euros) para o Fundo de População da ONU, destinado a
combater a Violência Baseada no Género na Ucrânia.