Mais de 300 internos rescindiram contrato e não prosseguem formação no SNS
2 de dez. de 2024, 11:36
— Lusa/AO Online
“A falta de ocupação de
vagas é particularmente preocupante em especialidades basilares como a
Medicina Geral e Familiar, a Medicina Interna e a Saúde Pública, onde
mais de 30% das vagas ficaram por preencher”, salienta a FNAM, no dia em
que termina o concurso para os médicos internos acederem à formação
especializada no SNS.Como razões para o
facto de haver “centenas de rescisões e vagas de especialidade por
preencher”, a federação aponta “o excesso e condições de trabalho que
não asseguram uma formação de qualidade”. “Ao
decidirem não escolher uma vaga para formação numa especialidade, os
médicos candidatos a este concurso - apenas com formação geral - optam
por fazer a formação especializada no estrangeiro ou trabalhar como
médicos não especialistas em regime de prestação de serviço no SNS, ou
no setor privado”, salienta em comunicado. Segundo
a FNAM, a repetição de concursos com perda de médicos para prosseguirem
a formação especializada, em áreas essenciais, contribui para a
indiferenciação dos cuidados de saúde prestados à população. Defende
que, “apenas com a implementação de medidas que garantam uma formação
de qualidade, condições de trabalho dignas e uma carreira atrativa será
possível manter o nível de excelência de cuidados de saúde que o SNS
assegura à população”. A FNAM insiste na necessidade de executar estas soluções para travar a saída de médicos internos e especialistas do SNS. “Exigimos
uma negociação séria e competente, na defesa da saúde da população, que
não pode continuar refém de um Ministério descredibilizado perante os
médicos e os utentes, e perdido no labirinto da falta de competência que
tem demonstrado em todas as áreas da governação que estão sob a sua
responsabilidade”, realça a federação.