Mais de 2.000 médicos já passam receitas aos utentes por telemóvel
19 de mar. de 2019, 13:03
— Lusa/AO Online
Antes
desta funcionalidade, o médico tinha de usar computador com leitor de
cartão, para o cartão da Ordem dos Médicos ou cartão do cidadão. Agora,
usa a chave móvel digital com valor de assinatura, o que permite que as
receitas médicas sejam passadas pelo médico através do telemóvel e
enviadas diretamente para um número de telemóvel ou e-mail do utente.Este
projeto vai ser explicado na “Portugal eHealth Summit”, a cimeira de
tecnologia e saúde que decorre de hoje até sexta-feira em Lisboa,
promovida pelo Ministério da Saúde, através dos SPMS.“Vamos
explicar melhor esse projeto, tentando sensibilizar as pessoas para a
sua utilização”, disse o presidente dos SMPS, Henrique Martins,
adiantando que “mais de 2.000 médicos já estão a utilizar a prescrição
eletrónica no telemóvel”.Dados dos SPMS
indicam que só no ano passado foram prescritas mais de meio milhão de
receitas manuais e no domicílio, com os antigos modelos de receita A5 em
papel. Também no setor privado há ainda
cerca de três milhões de receitas prescritas manualmente, que resultam
por vezes de contactos telefónicos que os doentes têm com os médicos ou
de pedidos de prescrição posteriores a uma consulta presencial.Através
desta funcionalidade, Henrique Martins espera uma “diminuição muito
grande” das receitas em papel passadas nos casos em que os médicos se
deslocam a casa do doente. Questionado
sobre o registo eletrónico da vacinação, Henrique Martins disse que,
neste momento, praticamente todas as pessoas que pretendam consultar o
seu boletim de vacinas no portal do SNS (Serviço Nacional de Saúde) já o
pode fazer.O utente “pode descarregar o
seu boletim de vacinas e andar com ele no seu telemóvel desde que tenha
um smartphone”, explicou o presidente dos SPMS.“É
uma ferramenta que teve uma grande adesão. Posso dizer que diariamente
mais de 1000 pessoas consultam o seu boletim de vacinas online”, vincou.Também
médicos e enfermeiros podem aceder a esse registo eletrónico das
vacinas em qualquer unidade do Serviço Nacional de Saúde.Na
“Portugal eHealth Summit”, mais de trinta ‘start-up’ vão apresentar os
seus projetos na área da saúde e essas tecnologias vão ficar
disponíveis para os hospitais utilizarem, disse Henrique Martins.A inteligência artificial e robótica na Medicina é um dos temas em debate na cimeira de tecnologia e saúde.Um
dos projetos que já está a ser trabalhado é o “Derm.AI – Utilização de
Inteligência Artificial na Teledermatologia” que visa analisar
fotografias da pele e ajudar a fazer uma avaliação prévia. “Esta
avaliação não dispensa a avaliação do médico, mas pode ajudar por
exemplo a separar os casos como maior suspeita dos casos com menor
suspeita”, disse Henrique Martins, sublinhando que é uma tecnologia onde
a inteligência artificial pode ser muito potenciador do diagnóstico.“Caracterizar
e reduzir a prescrição inadequada de antibióticos” é outro projeto
nesta área, que permite identificar padrões de prescrição com risco de
antibióticos em excesso.“Nós sabemos que
certos padrões de prescrição podem estar mais associados a resistências e
vai ajudar-nos a identificar quais são os médicos, os contextos
(hospitalar, cuidados primários), em que podemos eventualmente fazer,
por exemplo, uma intervenção e explicar melhor os riscos do uso de uma
antibioterapia desadequada”, adiantou.