Mais de 15 famílias regressaram voluntariamente aos Açores com receio de deportação dos EUA
13 de mai. de 2025, 09:11
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, Helena da Silva Hughes, presidente do Centro de
Assistência aos Imigrantes de New Bedford, cidade do estado
norte-americano de Massachusetts, indicou que o número total de famílias
que deixou o país é incerto, mas garantiu que irá aumentar nos próximos
meses, à medida que o ano letivo se aproximar do fim. "Temos
muitas pessoas que já compraram os bilhetes de avião e saíram, mas
também temos muitas pessoas que se estão a preparar para ir embora e
estão só à espera que os filhos acabem este ano letivo, em junho",
explicou. "Além disso, temos muitas
famílias que estão aqui há 15, 20 anos, e estão a tentar vender os seus
negócios, as suas empresas e as suas casas para poderem regressar a
Portugal sem assuntos pendentes", acrescentou, referindo-se a
portugueses com negócios nas áreas da restauração, construção ou de
limpezas. Essas famílias,
predominantemente dos Açores, estavam em situação ilegal nos Estados
Unidos e optaram pelo regresso a Portugal com receio de serem arrastadas
para um processo de deportação forçada pela parte do Governo de Donald
Trump, o que implicaria uma possível detenção em centros de imigração e
uma potencial separação familiar. De
acordo com Helena da Silva Hughes, "todos os dias os agentes
de imigração estão na área de New Bedford em busca de pessoas para
deportar", a abordar imigrantes nas ruas, à saída para os seus
trabalhos. A presidente do Centro de
Assistência aos Imigrantes, uma organização sem fins lucrativos, indicou
que os imigrantes da América Central têm sido os principais alvos
devido ao seu "perfil racial", que os torna "facilmente
identificáveis". Mesmo assim, os
portugueses estão "muito assustados", garantiu, contando o caso de um
português que relatou estar com medo de sair de casa com receio de ser
levado pelos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla
em inglês). "As pessoas estão com medo de
sair de casa, porque a casa é onde estão protegidos. Tivemos casos de
imigrantes que tiveram os vidros do carro partidos para serem levados
por agentes do ICE", disse, frisando que esses casos não ocorreram com
portugueses. "Antes de Trump ser eleito,
uma pessoa só poderia ser detida por agentes de imigração se eles se
fizessem acompanhar por um mandado assinado por um juiz. Entretanto, o
que estamos agora a ver é que esse processo não está a ser respeitado.
Os agentes estão simplesmente a fazer tudo o que querem para deter as
pessoas e deportá-las", constatou. Nesse
sentido, Helena está há meses a preparar um plano de emergência para
famílias, para que, nos casos em que os pais estejam em situação ilegal e
a criança tenha nascido em solo norte-americano e tenha cidadania
norte-americana, o menor fique temporariamente ao cuidado de alguém
aprovado pelos pais, ao invés de ficar ao cuidado do Estado. "Acho
que é um dos trabalhos mais importantes que estamos a fazer. É um plano
que é muito importante para estas famílias estarem preparadas caso
sejam apanhadas pelos agentes da imigração", afirmou. O
Presidente dos Estados Unidos, que prometeu a maior deportação em massa
da história, assinou este mês uma ordem executiva para encorajar alguns
imigrantes em situação irregular a “autodeportarem-se”, oferecendo-lhes
voos gratuitos para o estrangeiro. Antes
disso, a sua administração já tinha anunciado que iria atribuir 1.000
dólares (cerca de 900 euros, ao câmbio atual) aos imigrantes que saíssem
voluntariamente, além de cobrir os seus custos de transporte. Porém, Helena
da Silva Hughes garantiu à Lusa que essa medida não terá adesão junto
dos imigrantes portugueses, uma vez que esse processo de
"autodeportação" implicaria um registo e as pessoas não querem que o
Governo norte-americano tenha acesso aos seus dados. A presidente
do Centro de Assistência aos Imigrantes frisou que atualmente "não há
maneiras" para estes imigrantes conseguirem regularizar a sua situação
migratória e ficarem de forma permanente no país, desaconselhando
qualquer pessoa a viajar para os Estados Unidos com o visto de turista e
a permanecer no país além do permitido.