Mais de 140 ocorrências e 23 detidos em tumultos na Área Metropolitana de Lisboa desde dia 21
30 de out. de 2024, 16:00
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a PSP refere que
ao todo há 147 ocorrências registadas em 12 concelhos da Área
Metropolitana de Lisboa: Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa,
Loures, Odivelas, Oeiras, Seixal, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.Existiu ainda um incêndio num ecoponto na cidade de Leiria.A
ocorrência mais recente foi registada esta madrugada, na freguesia
lisboeta de Benfica, onde arderam 10 automóveis, tendo sido detido “em
flagrante delito” um homem de 44 anos, por suspeitas da prática do crime
de incêndio, de acordo com a nota da PSP.“Os
polícias empenhados fizeram uso dos extintores presentes nos carros de
patrulha, para, em conjunto com o Regimento de Sapadores de Bombeiros,
combater os focos de incêndio. Ao detido foi apreendido diverso material
suspeito de ter sido utilizado na deflagração dos referidos focos de
incêndio”, refere a PSP.Relativamente aos
incidentes verificados desde 21 de outubro, na sequência da morte de
Odair Moniz, cidadão cabo-verdiano de 43 anos e morador no Bairro do
Zambujal, na Amadora, a PSP reitera que foram registadas “várias
ocorrências de desordem e de incêndio em mobiliário urbano
(maioritariamente em caixotes do lixo), essencialmente na Área
Metropolitana de Lisboa”.Além de 23 suspeitos detidos, outros 23 foram identificados.Sete
pessoas ficaram feridas, duas das quais polícias, que foram
apedrejados, e cinco cidadãos foram “esfaqueados” ou ficaram com
queimaduras, entre os quais o motorista de um autocarro que ardeu em
Santo António dos Cavaleiros, no concelho de Loures, que sofreu
ferimentos graves.Ainda de acordo com a PSP, na sequência dos desacatos, desde a semana passada 39 automóveis e oito motociclos foram incendiados.Seis autocarros também sofreram danos, tendo quatro sido incendiados e dois apedrejados.Cinco
viaturas da PSP foram igualmente danificadas – “baleadas, incendiadas,
apedrejadas” - e foram arremessados “engenhos pirotécnicos” contra uma
esquadra da polícia.Na nota, a PSP reitera
estar “empenhada em manter a ordem, paz e tranquilidade públicas, em
todo o território nacional, designadamente na Área Metropolitana de
Lisboa”.“A PSP repudia e não tolerará os
atos de desordem e de destruição praticados por grupos criminosos,
apostados em afrontar a autoridade do Estado e em perturbar a segurança
da comunidade, grupos esses que integram uma minoria e que não
representam a restante população portuguesa que apenas deseja e quer
viver em paz e tranquilidade”, lê-se na nota.Prometendo
tudo fazer, em coordenação com as outras forças e serviços de
segurança, para “levar à justiça os suspeitos de todos os crimes que têm
sido praticados nos últimos dias”, a PSP volta também a apelar à calma e
à tranquilidade.Odair Moniz foi baleado
por um agente da PSP na madrugada de 21 de outubro, no Bairro da Cova da
Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois, no hospital.Segundo
a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura
policial e despistou-se na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos
agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a
arma branca”.A associação SOS Racismo e o
movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma
investigação “séria e isenta” para apurar responsabilidades,
considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.A Inspeção-Geral da Administração Interna e a PSP abriram inquéritos, e o agente que baleou o homem foi constituído arguido.