Mais de 120 pessoas detidas e acusadas nos protestos por morte de Masha Amini
Irão
12 de out. de 2022, 15:02
— Lusa/AO Online
A autoridade judiciária do país
anunciou, através do seu 'site' oficial, "a acusação de 60 pessoas" em
Teerão e outras 65 na província de Hormozgan, no sul, detidas durante os
"recentes motins", sem especificar as acusações."Dado
que os manifestantes (indiciados) desempenharam um papel central na
formação de encontros ilegais, a queima e ataque a alguns locais
públicos e privados e semearam o terror entre a população, o procurador
rapidamente investigou os seus casos", declarou o chefe da justiça de
Hormozgan, Mojtaba Ghahremani, citado pelo Mizan Online, o site da
justiça iraniana."A partir de agora,
aqueles que atacam a vida e a propriedade de pessoas, instalações
policiais, militares e urbanas ou encorajam e incitam as pessoas a
motins, serão tratados de uma forma decisiva", disse, sem mais
esclarecimentos, Ali Salehi, procurador de Teerão, citado hoje pelo
Mizan online.Este movimento de protesto no
Irão foi desencadeado pela morte, em 16 de setembro, de Mahsa Amini,
uma curda iraniana de 22 anos, que morreu três dias após a sua detenção
em Teerão pela polícia de moralidade, que a acusou de violar o estrito
código de vestuário da República Islâmica para as mulheres,
especialmente o uso do véu.Desde a sua
morte, houve mais de uma centena de mortos, principalmente
manifestantes, mas também membros das forças de segurança, em
manifestações descritos como "motins" pelas autoridades, enquanto
centenas de outras foram detidas em várias cidades do país.Segundo
a organização não governamental (ONG) Iran Human Rights, pelo menos 108
pessoas foram mortas na repressão dos protestos, que duram há quase um
mês.A 25 de setembro, a imprensa iraniana
noticiou a detenção de 88 manifestantes em Hormozgan e de quase 1.200
outros, incluindo 60 mulheres no norte do país.