Mais de 100 milhões de vacinas dadas para recuperar atraso da pandemia
Hoje 11:15
— Lusa/AO Online
A campanha Grande Recuperação,
lançada em 2023 e concluída oficialmente a 31 de março, beneficiou cerca
de 18,3 milhões de crianças entre 01 e 05 anos de idade em 36 países da
Ásia e África, incluindo mais de 12 milhões que nunca tinham recebido
qualquer vacina."Graças a esta conquista,
não só milhões de crianças estão agora protegidas contra doenças
evitáveis, mas também as suas comunidades, durante gerações", disse a
diretora executiva da Aliança GAVI para as Vacinas, Sania Nishtar, num
comunicado conjunto das agências humanitárias que trabalharam na
campanha.O "maior esforço internacional
alguma vez realizado (...) demonstra o que pode ser alcançado quando os
governos, parceiros e comunidades unem forças para proteger os mais
vulneráveis”, acrescentou Nishtar.Os dados
finais ainda estão a ser compilados, mas "a iniciativa global parece
estar no bom caminho para atingir a sua meta de alcançar pelo menos 21
milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta",
afirmaram as três organizações.Participaram
ainda o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a
Organização Mundial de Saúde (OMS), cujo diretor-geral, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, destacou que a campanha "ajudou a reverter uma das
principais consequências negativas da pandemia".A
Grande Recuperação incluiu a administração da vacina contra o sarampo a
15 milhões de crianças que nunca tinham sido vacinadas contra uma
doença cuja incidência está a aumentar de forma alarmante em todo o
mundo, com 11 milhões de casos projetados para 2024 e três vezes mais
países afetados do que há cinco anos.As
agências humanitárias alertaram que os surtos são exacerbados pela queda
da confiança na vacinação em alguns países que anteriormente tinham
elevadas taxas de cobertura, por vezes alimentada por movimentos
antivacinas.A diretora do departamento de
vacinas da OMS, Kate O’Brien, apelou a uma luta contra o ceticismo em
relação às vacinas, indicando estar muito preocupada com “a crescente
politização das vacinas e da saúde”.A campanha incluiu ainda a administração de 23 milhões de doses da vacina contra a poliomielite.Alguns
dos países que mais beneficiaram com a campanha foram a Coreia do
Norte, a Etiópia, o Quénia, o Paquistão, a Somália, o Níger e a
Mauritânia.A GAVI, a OMS e a UNICEF
alertam que, apesar dos esforços, cerca de 14,3 milhões de crianças com
menos de 1 ano de idade em todo o mundo não receberam qualquer vacina.