Mais de 100 medicamentos tiveram `luz verde´ na Europa em 2025
Hoje 15:44
— Lusa/AO Online
“Este
é o segundo maior número dos últimos 15 anos”, apenas superado nesse
período pelas recomendações de introdução no mercado aprovadas em 2024,
adiantou o diretor médico da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na
sigla em inglês), Steven Thirstrup, em conferência de imprensa.Num
balanço da atividade no último ano, o especialista salientou que cerca
de 36% dos medicamentos que tiveram `luz verde´ da EMA no último ano
contêm uma nova substância ativa que nunca tinha sido autorizada na
União Europeia (UE).A EMA é responsável
pela avaliação científica dos pedidos de autorização de comercialização
de novos medicamentos. Quando é concedida pela Comissão Europeia, essa
autorização é válida em todos os Estados-Membros da UE, assim como na
Islândia, Noruega e Liechtenstein.Segundo a
EMA, em causa estão novos medicamentos que representam uma inovação
importante ou um contributo para a saúde pública, como o primeiro
fármaco para tratar a bronquiectasia não associada à fibrose quística,
um tratamento pioneiro para atrasar o aparecimento da diabetes tipo 1 em
estádio 3 em crianças e adultos e o primeiro medicamento oral para
tratar a depressão pós-parto.“A depressão a
seguir ao parto é uma severa condição de longo prazo que afeta entre
10% e 20% das mulheres que dão à luz”, realçou o especialista da EMA.Steven
Thirstrup salientou, na área da oncologia, a autorização concedida para
a comercialização do medicamento Anktiva para o tratamento de adultos
com um tipo de cancro da bexiga que apresenta um elevado risco de
disseminação, considerado um dos mais comuns na União Europeia e que
afeta cerca de 200 mil pessoas por ano.O
regulador europeu recomendou ainda, no último ano, 16 medicamentos para
doenças raras, incluindo o primeiro fármaco para tratar a síndrome de
Wiskott-Aldrich, uma doença rara e hereditária do sistema imunitário que
afeta quase exclusivamente os homens, assim como uma terapia genética
para o tratamento de feridas em doentes com uma condição rara que torna a
pele muito frágil.Steven Thirstrup
sublinhou também que em 2025 foram aprovadas recomendações para 41 novos
medicamentos biossimilares (versões semelhantes a medicamentos
biológicos de referência que já foram aprovados), o “maior número de
sempre aprovado apenas num ano”, 23 dos quais contendo um anticorpo
monoclonal para tratar doenças como a osteoporose e a perda óssea.Os
medicamentos recomendados no último ano pelo regulador europeu
destinam-se a várias áreas terapêuticas, entre as quais a oncologia,
cardiovascular, dermatologia, endocrinologia, gastroenterologia,
infeções, metabolismo e vacinas, entre outras.Quando
um medicamento é autorizado pela Comissão Europeia e prescrito aos
doentes, a EMA e os Estados-Membros da UE monitorizam continuamente a
sua qualidade e a relação entre os benefícios e os riscos, adotando
medidas regulamentares quando necessário, que podem incluir alterações
na informação sobre os produtos, a suspensão ou retirada de um
medicamento do mercado ou a recolha de um número limitado de lotes. A EMA é uma agência da UE a quem cabe a avaliação científica, supervisão e monitorização da segurança dos medicamentos.