Mais de 10 milhões de embalagens de ansiolíticos são consumidas num ano em Portugal
16 de dez. de 2019, 15:49
— Lusa/AO online
O
relatório do Conselho Nacional de Saúde dedicado à saúde mental, que é
hoje divulgado e a que a agência Lusa teve acesso, traça um panorama do
consumo de medicamentos estimulantes do sistema nervoso e de
psicofármacos, mostrando um aumento global.Portugal
surge como o quinto país em 29 da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico (OCDE) que mais consome antidepressivos, tendo
uma taxa de consumo que é o dobro de países como a Holanda, a Itália ou
a Eslováquia.O consumo de ansiolíticos
apresenta uma tendência estável em Portugal desde 2014 e no ano passado
foram compradas 10,5 milhões de embalagens.Já os antidepressivos registam uma tendência crescente nos últimos anos e em 2018 foram compradas 8,8 milhões de embalagens.O
aumento do consumo de antidepressivos segue a mesma tendência do que
nos restantes países da OCDE, onde o consumo duplicou entre 2000 e 2017,
o que pode refletir um melhor diagnóstico da depressão, melhor acesso a
medicamentos ou ainda uma evolução das orientações clínicas para o
tratamento da depressão.Ainda assim,
Portugal tem um dos maiores consumos de antidepressivos, estando em
quinto lugar entre os 29 países da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico analisados.O
documento do Conselho Nacional de Saúde considera que são
“particularmente preocupantes” em Portugal os dados do consumo de
benzodiazepinas, medicamentos usados para a ansiedade que podem causar
dependência com uso continuado.“As
benzodiazepinas e análogos são apenas indicados para o controlo de curto
prazo da ansiedade e insónia, podendo ter efeitos deletérios [nocivos]
se mantidos de forma crónica”, como possível adição e disfunção
cognitiva, refere o relatório.Dados de 2016 mostram que 1,9 milhões de utentes tiveram pelo menos uma prescrição de benzodiazepinas.