Mais de 1,5 milhões de portugueses vítimas de violência física ou sexual
30 de out. de 2023, 15:58
— Lusa
Os
dados constam do Inquérito sobre Segurança no Espaço Público e Privado
(ISEPP) e resultam de 11.346 entrevistas feitas entre
julho e outubro do ano passado para recolha de dados estatísticos sobre
violência de género e violência doméstica.Segundo
o INE, 20,1% das pessoas com idades entre os 18 e os 74 anos já foram
vítimas de violência física ou sexual na idade adulta, com as mulheres a
serem mais afetadas pela violência em contexto de intimidade, ao
contrário dos homens, que são sobretudo vítimas de violência física fora
de contexto de intimidade.O INE explica
que a violência na idade adulta resulta da combinação de toda a
violência sofrida pelas pessoas tanto em contexto privado como público,
tendo tomado em consideração “o tipo de violência observada que é comum
nas duas esferas, isto é, a violência física e a violência sexual”. De
acordo com o INE, “a proporção de mulheres que sofreram violência
sexual na idade adulta é praticamente o triplo da observada nos homens
(6,4% para 2,2%, respetivamente)”, com os homens a apresentarem “uma
maior prevalência de violência física, sendo superior à das mulheres em
5,3 p.p. (18,5% para 13,2%)”. “Daqui
resulta que a proporção total de pessoas vítimas de violência física e
ou sexual na idade adulta é de 20,1%, sendo a proporção de mulheres e
homens muito semelhante, respetivamente, 19,7% e 20,6%”, explica o INE.Concretamente
em relação à violência em contexto de intimidade, o INE refere que mais
de 1,3 milhões de pessoas (20%) que têm ou tiveram um/a parceiro/a
sofreram algum tipo de violência, com a proporção a ser mais elevada nas
mulheres (22,5%) do que nos homens (17,1%).Refere
também que as mulheres apresentam proporções mais elevadas do que os
homens em todos os tipos de violência em contexto de intimidade, quando
analisados separadamente: “21,8% das mulheres referiram ter sofrido
violência psicológica, o que compara com 16,8% dos homens; 7,0% foram
vítimas de violência física, mas não sexual (3,3% no caso dos homens); e
10,3% de violência física ou sexual (3,8% nos homens)”.Este
último valor (10,3%) significa que um universo de quase 500 mil
mulheres foi vítima de agressões físicas ou sexuais por parte do
parceiro, além de o INE salientar que “a proporção de mulheres vítimas
de violência sexual é o dobro da observada nos homens (3,8%)”.Com
os resultados obtidos, o INE considera que “apenas parte das
experiências de violência são reportadas às autoridades policiais e
oficialmente registadas”, tendo em conta que os dados administrativos
registaram 37,7 mil vítimas por crime de violência doméstica em 2022,
quando o inquérito apurou 214,4 mil.Fora
do contexto de intimidade, a violência física é a que mais se destaca,
sobretudo nos homens, mas ainda assim a “proporção de mulheres vítimas
de violência sexual é o dobro da observada nos homens”.Os
dados do inquérito mostram, no entanto, um padrão diferente do que foi
observado na violência em contexto de intimidade, já que a proporção de
homens vítimas (19,3%) é superior à das mulheres (13,1%),
“particularmente suportada pela mais elevada proporção de homens que
sofreram violência física, mas não sexual (17,4%), o que compara com
9,3% nas mulheres”.“Porém, a proporção de
mulheres vítimas de violência sexual fora do contexto de intimidade
(3,9%) é o dobro da observada nos homens (1,9%)”, sublinha.O
INE analisa também a questão do assédio sexual no local de trabalho e
conclui que também aqui há uma diferença de género, já que “mais do
dobro [das mulheres], comparativamente aos homens, afirma ter sido
vítima” e com mais de 76 mil mulheres a reportaram situações ocorridas
nos doze meses anteriores à realização do inquérito.O
fenómeno é particularmente notado pelas mulheres mais jovens e a
maioria dos agressores identificados são homens, com destaque para
colegas de trabalho e o patrão.