Mais de 1.000 pessoas resgatadas do Mediterrâneo aguardam desembarque
Migrações
26 de jul. de 2022, 16:01
— Lusa/AO Online
Após as
últimas operações, o navio da organização humanitária alemã Sea Watch
navega com 439 náufragos a bordo, enquanto o ‘Ocean Viking’, da
organização francesa SOS Mediterranée, tem 387 e o ‘Geo Barents’, dos
Médicos Sem Fronteiras (MSF), soma 209 pessoas, segundo referiram as
organizações nas redes sociais.De acordo
com a MSF, o último pedido de ajuda feito pelo Alarm Phone, uma linha de
apoio a migrantes no mar, levou ao resgate de 20 pessoas que estavam
numa “pequena lancha em perigo”.Metade dos
resgatados, que estão a bordo do ‘Geo Barents', “são menores e o mais
novo tem apenas 20 dias de idade”, refere a organização.“Toda a gente merece estar segura e a nossa equipa vai continuar a prestar assistência às pessoas em perigo”, acrescentou.Anteriormente,
a Sea Watch tinha escrito que “439 pessoas precisavam e tinham direito a
um porto seguro para desembarcar”, referindo que estes migrantes
sobreviveram à travessia do Mediterrâneo, mas “estão no mar há dias, com
temperaturas proibitivas”.A mensagem da
organização alemã foi acompanhada por um vídeo no qual a chefe da missão
explica as difíceis condições a bordo após cinco resgates em menos de
26 horas.A SOS Mediterranée também tem
pedido insistentemente às autoridades europeias que permitam o
desembarque das 387 pessoas que estão a bordo do ‘Ocean Viking’.“Muitos estão exaustos e mostram sinais de sofrimento emocional depois de terem passado mais de 10 horas no mar”, referiu.Além
disso, cerca de 2.000 pessoas chegaram à costa italiana desde o último
fim de semana, a maioria através de meios próprios, em barcos precários,
muitos dos quais precisaram de ajuda das forças de segurança italianas
por estarem em perigo.Foi o caso de um
barco de pesca que estava à deriva com 674 migrantes e que foi resgatado
no sábado, perto da Calábria (sul), por navios da patrulha da guarda
costeira italiana e uma unidade da brigada fiscal, que também encontrou a
bordo cinco mortos.Estas pessoas morreram
de sede, já que a água potável era racionada pelos traficantes que
organizaram a viagem, cinco dos quais foram presos por ordem do
Ministério Público de Messina (Sicília, sul).“Durante
a viagem, os recursos hídricos e alimentares foram racionados de forma
desumana, ao ponto de os migrantes serem obrigados a partilhar uma
chávena de café cheia de água entre 10 pessoas”, explicou, em comunicado
divulgado na segunda-feira, o Ministério Público, acrescentando que
todos os resgatados estavam em péssimas condições porque também foram
espancados “com paus e cintos”.Por outro
lado, cinco desembarques com 147 pessoas foram registados hoje de manhã
em Lampedusa, ilha da Sicília que tem servido de porto de desembarque
para muitos migrantes.Com a entrada dessas
pessoas, o centro de acolhimento da ilha, cuja capacidade não
ultrapassa as 350 pessoas, somava mais de 1.600, o que levou à
mobilização de recursos da Marinha italiana para transferir migrantes
para outras localidades. De acordo com os
dados mais recentes do Ministério do Interior de Itália, mais de 34.000
pessoas chegaram à costa italiana este ano, mais 36 por cento do que no
mesmo período do ano passado, quando os migrantes desembarcados somavam
25.500 pessoas.