Maioria socialista chumba criação de subsídio de risco nos Açores
19 de jun. de 2020, 16:08
— Lusa/AO Online
"É uma proposta demagógica e eleitoralista",
justificou Manuel Pereira, deputado da bancada do PS, durante a
aprovação do projeto de resolução, acusando os comunistas de pretenderem
"dar tudo a todos", sem terem em conta que nem todas as carreiras da
função pública merecem o mesmo apoio.João
Paulo Corvelo, deputado único do PCP na Assembleia Legislativa dos
Açores, explicou que o seu objetivo era fazer com que o Governo
Regional, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, criasse um subsídio
correspondente a 20% do vencimento, para os trabalhadores da
administração regional sujeitos a maior risco e insalubridade nesta
altura de pandemia."Principalmente quando
vivemos um período de particular sensibilidade, a representação
parlamentar do PCP apresenta a presente resolução, com vista à
atribuição de um subsídio, de valor equivalente a 20% da remuneração
base, aos trabalhadores da administração pública que prestam o seu
trabalho em situações de risco, penosidade e insalubridade", justificou o
parlamentar comunista.A iniciativa do PCP
não discriminava, no entanto, quais as carreiras que deveriam ter
acesso a esse subsídio, nem o impacto previsível desta medida, razão
pela qual o secretário adjunto da Presidência, Berto Messias, considerou
que a proposta era "demasiado abrangente" e difícil de quantificar, em
termos financeiros."Dar tudo a todos, sem
saber muito bem como, sem saber muito bem porquê, sem avaliar o impacto
financeiro, sem definir o universo a que se refere, não faz sentido",
insistiu o governante.Mas Mónica Seidi,
deputada da bancada do PSD, entende que sobretudo os profissionais de
saúde mereciam um apoio excecional por parte do governo açoriano, devido
à luta que têm enfrentado no combate à Covid-19 no arquipélago."Estamos
aqui ao lado do PCP nesta proposta, sem nunca esquecer a importância
das carreiras do setor da Saúde na região, porque entendemos que, num
dia, não podem ser aplaudidos estes profissionais e, no dia seguinte,
serem esquecidos", realçou.Pelo CDS,
Catarina Cabeceiras lembrou os trabalhadores que "asseguraram a
continuidade de vários serviços" durante o pico da crise pandémica,
definindo como "da mais elementar justiça" o suplemento proposto pelo
PCP.Já o BE, pelo deputado Paulo Mendes,
destacou o "trabalho e dedicação de todos os profissionais de saúde que
se dedicaram de corpo e alma" ao combate à pandemia, lamentando a
ausência da secretária com a tutela, Teresa Luciano, do debate
parlamentar.Apesar de ter contado com os
votos favoráveis do PSD, do CDS, do PCP, e do BE, a proposta do PCP
acabou chumbada no parlamento, com os votos contra da bancada do PS e
com a abstenção da deputada independente, Graça Silveira.