Maioria parlamentar apoia moratória a mineração em mar profundo
30 de jan. de 2025, 18:32
— Lusa/AO Online
A
moratória à mineração em mar profundo até 2050 foi a plenário com a
apresentação de vários projetos de lei, que recolheram consenso face à
necessidade de serem protegidos os recursos marinhos e desenvolvidos
mais estudos sobre o impacto desta extração noutras atividades
económicas importantes para Portugal, como a pesca, mas para a
Iniciativa Liberal (IL) as moratórias preconizadas, não são medidas
temporárias, mas sim “vetos disfarçados”.“Trata-se
de travar a inovação e o desenvolvimento em setores de futuro. O que se
propõe hoje não é cautela, é inação e a IL recusa a inação como
política”, afirmou a deputada Joana Cordeiro.Inês
Sousa Real, do PAN, apelou aos partidos para se envolveram num trabalho
comum em sede de especialidade, depois de defender a adoção da
moratória, no âmbito do cumprimento da lei do clima e das recomendações
do Parlamento Europeu.Lembrou ainda que,
três anos passados sobre a adoção da lei do clima, 60% dos municípios
não dispõe de planos de ação climática, estando o país cada vez mais
sujeito a fenómenos potenciados pelas alterações climáticas.
O Bloco de Esquerda alertou para a necessidade de proteção dos mares e
das atividades que são “o ganha-pão” de muitas comunidades, face ao
“enorme potencial de um desastre ambiental” e social, com a extração em
mar profundo, conforme vincou o deputado Fabian Figueiredo.Também para o PSD, está em causa não apenas uma questão ambiental, mas económica que não pode ser “decidida no escuro”.“A
verdade é que ainda temos pouca luz”, sublinhou o social-democrata Hugo
Oliveira Patrício, recusando a exploração, sem um maior conhecimento
dos riscos. O PS, através de Miguel Costa
Matos, defendeu uma harmonização entre a lei de enquadramento orçamental
e a lei de bases do clima, recordando que dezenas de países já se
pronunciaram contra a mineração em mar profundo. “Onde
existe mineração em mar profundo, existe destruição de espécies”,
reforçou a deputada Isabel Mendes Lopes, do Livre, ao afirmar que quase
todos os estudos apontam para danos que podem ser irreversíveis. “Quase
mil investigadores de 44 países apelaram para uma moratória”, disse. Depois
de questionar os prazos das moratórias, o Chega reclamou para si o
estatuto de conservador, também dos recursos naturais, com o deputado
Pedro Frazão a anunciar que a posição do partido é que a mineração não
deve iniciar-se “sem o aprofundamento do conhecimento científico em
torno dos impactos”, embora possa representar uma oportunidade para o
país. O CDS-PP manifestou respeito pela
posição dos Açores de rejeição desta atividade, sendo esta a zona
considerada de maior potencial de exploração.“Agora
é o tempo da investigação científica. Mais tarde chegará o tempo da
decisão política”, justificou o deputado Paulo Núncio.O
PCP acompanhou igualmente uma moratória comum às várias iniciativas
legislativas, por considerar que há ainda “muito caminho para fazer em
investigação aplicada”, nas palavras do deputado Alfredo Maia.Várias
organizações ambientalistas têm alertado para os riscos de extração de
minerais, como cobre, lítio, níquel ou manganês, usando maquinaria
pesada em mar profundo.