Maioria na Assembleia da República a favor do Corvo no financiamento das freguesias
Hoje 17:52
— Lusa/AO Online
Na discussão na
Assembleia da República de uma proposta de lei do parlamento dos Açores,
o deputado do PS Francisco César salientou tratar-se de uma “alteração
cirúrgica” ao regime financeiro das autarquias locais para o “caso único
no país” do município do Corvo, nos Açores, que exerce legalmente as
competências de freguesia na ilha.“Acumula
competências de município e freguesia, não tendo efetivamente uma Junta
de Freguesia. Está excluído do Fundo de Financiamento das Freguesias.
Exerce mais funções e recebe menos recursos. Não é uma questão técnica. É
uma questão de equidade e de justiça”, afirmou o socialista eleito pelo
círculo dos Açores.Também Paulo Moniz
(PSD) lembrou que o município do Corvo é o “titular no respetivo
território das competências genéricas atribuídas às freguesias sem
receber qualquer verba por essas competências”.“O
objetivo não é complicar. Não é criar mais um órgão. É tão simplesmente
uma questão de justiça para quem desempenha as funções de freguesia,
como é o caso, receba o envelope financeiro, tal como qualquer outra
freguesia”, reforçou o social-democrata, também eleito pelo arquipélago
açoriano.Por sua vez, o deputado do Chega
Carlos Barbosa considerou que uma “coisa é reconhecer a especificidade
do Corvo”, mas “outra completamente diferente é abrir um precedente
perigoso”, já que está em causa incluir um município no financiamento
das freguesias.Carlos Barbosa lembrou
ainda as verbas que os Açores recebem pelo Orçamento do Estado para
considerar que em causa “não está um território abandonado pelo Estado
central”.O Chega, pela deputada Patrícia
Almeida, insistiu nos riscos de “duplicar financiamento” já que o
Governo dos Açores inclui o Corvo nos apoios regionais às freguesias.A
posição levou Paulo Moniz a lembrar as “dificuldades” da ultraperiferia
e Francisco César a apelar à “compreensão da insularidade” e a criticar
a ausência da deputada do Chega eleita pelos Açores no debate.Na
discussão, o comunista Alfredo Maia classificou a proposta “razoável e
justa”, enquanto a parlamentar do Livre Filipa Pinto defendeu a
importância de “corrigir uma desigualdade evidente”.O
deputado Miguel Rangel (IL) disse ser “razoável” que o Corvo receba os
apoios das freguesias, mas considerou que “qualquer nova transferência
deve ser devidamente quantificada” para verificar se “existe, no plano
material, uma necessidade financeira”.O
deputado do CDS-PP João Almeida mostrou concordância com a proposta,
lembrando tratar-se de uma “realidade específica no país”, tal como
Filipe Sousa (JPP) que disse não ser aceitável a situação atual.O
diploma em discussão na Assembleia da República, que ainda vai ser
votada, teve origem numa anteproposta de lei do PPM aprovada no
parlamento dos Açores para que o município do Corvo receba as verbas do
Fundo de Financiamento das Freguesias.O
Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores
estabelece que o município da ilha do Corvo é o “titular das
competências genéricas das freguesias, com as devidas adaptações, no
respetivo território”.