Maioria das escolas que deveria ter encerrado mantém-se aberta este ano
12 de set. de 2022, 13:13
— Lusa/AO Online
O
Ministério da Educação deu, no ano passado, uma “autorização excecional
de funcionamento” a 43 escolas básicas do 1.º ciclo para que pudessem
continuar abertas “até ao final do ano letivo de 2021/2022”, no âmbito
da reorganização da rede escolar.Mas a maioria vai continuar aberta, segundo um levantamento feito pela Lusa, que encontrou apenas três escolas fechadas.A
Lusa falou com professores que têm estado a preparar material e salas
de aulas para esta semana receberem as crianças do jardim-de-infância e
1.º ciclo para mais um ano letivo.Da lista
das que deveriam ter encerrado definitivamente a 30 de junho, apenas
duas básicas de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, e outra em
Viseu não voltam agora a abrir portas, segundo as respostas que a Lusa
obteve relativas a 32 primárias. Esta é uma história antiga, que começou com o processo de reorganização da rede escolar. A
maioria das escolas que aparece na lista do Ministério da Educação vive
há mais de uma década nesta incerteza, já que todos os anos o seu nome
volta a constar de uma nova lista divulgada pela tutela.Ainda
no Governo de José Sócrates foi decidido encerrar todas as primárias
com menos de 21 alunos e o Ministério da Educação divulgou uma lista com
cerca de 900 escolas que teriam de encerrar definitivamente até ao
final do ano letivo de 2010-2011. Na
última década, as escolas foram fechando e a lista foi mirrando. Segundo
relatos de professores e responsáveis autárquicos, ao longo destes 12
anos, houve escolas que desapareceram mas também houve algumas que
fecharam e voltaram a reabrir passados uns anos. A
lista atual tem escolas de norte a sul do país e revela que não é só no
interior desertificado que se luta por manter a primária aberta. As
histórias de futuros incertos também se contam no litoral: Em Lisboa e
Vale do Tejo há duas escolas no concelho de Sintra e outras cinco no
distrito de Santarém. Todas deveriam ter encerrado em junho, mas vão
agora receber os seus alunos.A professora
Teresa Anselmo, que está à frente da Escola Ensino Básico e Jardim de
Infância de Ranholas, em Sintra, contou à Lusa que a escola esteve
vários anos em risco de não abrir as portas, mas agora “até tem lista de
espera”.Teresa Anselmo atribui à “luta incansável dos pais” o sucesso de conseguir manter a escola aberta.Viver
na incerteza quanto ao futuro começou em 2010, quando as duas escolas
de Sintra apareceram entre os cerca de 900 estabelecimentos de ensino.
Os poucos alunos da primária de Ranholas e de Galamares ditavam o seu
fim.Agora, em Ranholas há pais que sonham
com uma vaga na “escola da floresta”, contou a professora, enquanto
ultimava os preparativos para receber para seus alunos.Em
Santarém, as histórias são parecidas. A escola básica de Cardigos vai
manter-se em funcionamento com menos de 20 crianças, mas o presidente da
autarquia de Mação lembra que a escola fica a cerca de 30 quilómetros
da sede do concelho numa estrada “cheia de curvas”. Ali
perto, na Chamusca, a vice-presidente da autarquia, Cláudia Moreira,
contou que a escola básica de Ulme beneficia de autorização excecional
de funcionamento desde 2015 e irá funcionar este ano com vinte alunos.Mesmo
estando na lista das escolas em risco de fechar, muitas autarquias
decidiram continuar a investir nas primárias numa tentativa de inverter o
processo. No Cartaxo, por exemplo, o
município investiu em salas que permitissem ter as crianças mais tempo
nas duas escolas, depois das aulas.Segundo
a vereadora com o pelouro da Educação, Fátima Vinagre, a escola de
Casais Penedos passou de 11 para 15 alunos inscritos e a da Ereira de
sete para 18.No Alentejo, também se
festeja a manutenção das três escolas que deveriam ter fechado em junho -
duas no distrito de Beja e outra em Portalegre. Uma
delas é a Escola Básica de Penilhos, em Mértola. À Lusa, o presidente
da autarquia, Mário Tomé, lembrou que “manter a escola primária em
funcionamento significa os risos e brincadeiras (…) numa aldeia
altamente envelhecida”.Este ano, a Escola Básica de Penilhos vai ter 18 crianças: sete no pré-escolar e onze no 1º ciclo. A
escola está nas listas anuais do ministério desde 2010 e, durante
alguns anos, chegou a estar fechada. “Com muito esforço conseguimos
reabrir há três anos”, recordou Mário Tomé, reconhecendo que
“dificilmente a primária de Penilhos voltará a ter uma turma com o
número”. Um pouco mais acima no mapa, no
distrito de Castelo Branco, há outras seis escolas que desde 2010 abrem
com “autorização excecional”.No distrito
de Viseu, das oito escolas dos concelhos de Viseu, Nelas, Tondela e
Castro Daire que fazem parte da lista, apenas uma encerrou em julho
passado: a Escola Básica de Travanca.Fonte
da Câmara de Viseu disse à Lusa que a escola fechou depois de ter
estado a funcionar com autorização excecional desde o ano letivo de
2014/2015 e que agora os onze alunos vão passar para a escola situada a
poucos quilómetros, tendo o transporte assegurado. As
instalações da escola encerrada ficarão provavelmente “ao serviço do
jardim-de-infância existente em outro espaço da mesma freguesia”,
acrescentou a mesma fonte.