Maioria das creches aberta com apenas quatro a seis crianças
Covid-19
19 de mai. de 2020, 17:54
— Lusa/AO Online
“No
primeiro dia, 88% das creches reabriram mas tiveram em média entre
quatro a seis crianças”, disse à Lusa Susana Batista, presidente da
Associação de Creches e de Pequenos Estabelecimentos de Ensino
Particular (ACPEEP), com base no inquérito realizado na segunda-feira
junto dos associados.Houve 12% que não
receberam qualquer criança porque os pais “não quiseram arriscar já esta
semana com receio [da pandemia de covid-19], mas mesmo assim houve uma
abertura administrativa”, explicou à Lusa.O
caso mais complicado foi o de uma creche em Valongo, onde os pais
tinham planeado deixar os filhos, mas optaram por adiar o seu regresso,
porque ainda não eram conhecidos os resultados dos testes de despistagem
do novo coronavírus.Segundo Susana
Batista, os testes aos educadores e funcionários foram realizados apenas
na segunda-feira: “Em princípio durante o dia de hoje ou na
quarta-feira chegam os resultados e as crianças recomeçam a ir a
creche”, disse.Segundo dados do Governo,
foram feitos cerca de 26 mil testes a trabalhadores das creches e apenas
0,3% dos casos revelaram ser positivos. O
inquérito da associação revelou ainda que a maioria dos pais (60%) que
já enviou as crianças para a creche tem filhos no 1.º ciclo, ou seja, em
escolas que este ano letivo vão continuar sem aulas presenciais e, por
isso, terão de permanecer em casa.Quanto
ao impacto do regresso à escola para as crianças, as creches relataram
diferentes situações, desde os que choraram pela separação dos pais mas
também os que “entraram a correr para ver os amigos e cheios de saudades
de brincar”, sublinhou a presidente da associação.As
crianças ficaram "muito admiradas" com a nova decoração dos espaços,
que agora têm muito menos brinquedos e não há nada colado nas paredes,
mas não estranharam ver as educadoras com máscara.“As
crianças aperceberam-se das mudanças, mas estavam tranquilas. Elas
ultrapassaram todas as nossas expectativas”, garantiu Susana Batista,
sublinhando a importância do trabalho de preparação que foi desenvolvido
nos últimos dias pelas creches e encarregados de educação.“Temíamos
que pudessem ter medo de ver as educadoras com máscara, mas não houve
qualquer dificuldade”, disse, baseando-se nas respostas dos associados.Quanto
ao estado de espírito dos encarregados de educação, as creches
encontraram “pais tranquilos, confiantes e conhecedores das orientações
da Direção-Geral de Saúde”, que veio definir por exemplo que não podem
entrar nos estabelecimentos ou que têm de trazer mudas de roupa para as
crianças em sacos de plástico.“Os pais vinham muito bem preparados e estavam muito compreensivos com as novas regras”, sublinhou Susana Batista.Apenas
alguns dos funcionários que estavam encarregues de receber as crianças
revelaram alguma ansiedade, principalmente devido à responsabilidade,
acrescentou a representante do setor.Susana
Batista fez um balanço positivo do retomar da atividade presencial, mas
admitiu que ainda existem alguns constrangimentos por falta de
determinados equipamentos que continuam indisponíveis.“Houve
creches que encomendaram termómetros infravermelhos, que não implicam o
contacto, mas não chegaram a tempo”, exemplificou, explicando que a
alternativa foi usar outros termómetros.Também
houve estabelecimentos que não encontraram à venda os dispensadores
automáticos de gel e a opção foi comprar os dispensadores manuais.Finalmente,
a falta de álcool à venda está a obrigar as creches a usar gel
desinfetante para limpar grandes superfícies, o que “fica extremamente
caro”, lamentou Susana Batista, que apelou ainda para que haja
uma regulação do mercado no que toca ao preço das máscaras cirúrgicas.“Uma
caixa com 50 máscaras custa cerca de 35 euros e cada pessoa precisa de
usar pelo menos duas enquanto está a trabalhar. Para as creches é um
preço muito elevado, principalmente nesta fase de fortes
constrangimentos financeiros”, alertou.