Maioria das companhias aéreas falha na transição energética com TAP entre as piores
3 de dez. de 2024, 12:28
— Lusa/AO Online
O
‘ranking’ das companhias aéreas foi feito pela Federação Europeia de
Transportes e Ambiente (T&E, na sigla original), que junta
organizações não-governamentais da área do ambiente e do transporte,
tendo como objetivo promover um transporte mais sustentável.Segundo
a investigação, das 77 companhias aéreas de todo o mundo, a maior
parte, 87%, está a falhar na transição, já que apenas 10 estão a adotar
alternativas credíveis ao ‘jetfuel’ convencional.As
outras 67 ou estão a comprar combustíveis sustentáveis para a aviação,
mas em quantidade insuficiente, ou a comprar o tipo errado de
combustíveis, ou nem sequer estão a considerar usar combustíveis
sustentáveis.A TAP aparece na lista das
mais mal classificadas, uma lista que entre a 41.ª posição e a última
tem zero pontos em todas as opções analisadas para cada companhia. A
associação ambientalista Zero, que faz parte da T&E e que divulga a
análise, afirma que da redução de emissões da TAP se conhece apenas um
voo de teste com combustíveis sustentáveis em 2022, “não se conhecendo
objetivos para a utilização de combustíveis sustentáveis para a aviação
ou e-SAF (combustível sintético) até 2030 ou investimentos ou acordos
relacionados com combustíveis sustentáveis para a aviação”.A
Zero acrescenta: “As companhias aéreas, incluindo a TAP, não estão
apenas a fazer muito pouco no que respeita à adoção de combustíveis
sustentáveis para a aviação; muitas delas não estão a fazer nada,
levantando sérias dúvidas sobre os passos que é preciso dar para mitigar
o seu impacto climático”.Segundo o
‘ranking’, as três companhias aéreas mais bem classificadas são a Air
France-KLM, a United Airlines e a Norwegian, pelo recurso (uso ou
investimento) a combustíveis sustentáveis (SAF- Sustainable Aviation
Fuel).Na lista, as companhias aéreas
receberam pontos por definirem metas para incorporação de e-SAF e de
combustíveis sustentáveis para a aviação (seja compra efetiva seja
compromissos assumidos).No documento da
T&E divulgado pela Zero em comunicado, alerta-se que nem todos os
SAF são sustentáveis e que o e-SAF é o melhor. O bioSAF (a partir de
resíduos florestais, óleos e gorduras) varia em sustentabilidade e é
limitado na quantidade. Os combustíveis feitos a partir de culturas
alimentares ou forrageiras não são sustentáveis. A
Zero alerta que a maioria das companhias aéreas do ‘ranking’ usa o tipo
errado de SAF, com os biocombustíveis feitos a partir de culturas como
milho e soja a representarem 30% dos acordos com fornecedores (o e-SAF
10%).No documento denuncia-se ainda a
falta de investimento dos produtores de ‘jetfuel’ fóssil em SAF (menos
de 03% da produção anual de combustíveis para a aviação até 2030), e,
“pior ainda” os planos que existem é para bioSAF (e não para e-SAF, que é
um combustível sintético produzido a partir de eletricidade renovável,
hidrogénio verde e dióxido de carbono captado diretamente do ar).Diz
a Zero que em Portugal a Galp, principal fornecedor, prevê iniciar a
produção de SAF em 2026, essencialmente biocombustíveis, e acrescenta
que as petrolíferas têm relutância em investir em SAF.No
mundo inteiro a adoção de combustíveis sustentáveis é muito baixa.
Segundo o estudo, para as 77 companhias aéreas avaliadas os volumes
projetados de combustíveis sustentáveis para a aviação levarão a uma
redução de apenas 0,9% nas emissões em 2030.A
Zero defende no comunicado que as companhias aéreas têm de definir
metas de uso de combustíveis sustentáveis, que as petrolíferas devem
acelerar a transição e que os reguladores devem ser mais proativos, e
devem assegurar que a União Europeia toma o investimento em e-SAF como
uma prioridade.