Maior adesão no segundo dia da greve dos professores
14 de mar. de 2018, 11:46
— Lusa/AO online
Mário
Nogueira esteve hoje em Faro, junto à escola básica 2.3. Afonso III, e
fez um balanço “provisório” da greve que se realiza no Algarve e no
Alentejo, afirmando que, no distrito de Faro, e tendo por base dados da
primeira hora da manhã, se registou “um aumento da percentagem”
verificada na segunda-feira.“Os
primeiros dados apontam para aquilo que também nós já supúnhamos que
pudesse acontecer, que era um aumento da percentagem de ontem. É
evidente que ainda é inconclusivo, temos apenas dados do início da manhã
e, portanto, ainda precisamos de ter muita mais informação, mas o
pré-escolar e o primeiro ciclo estão - e aliás já começa a ser também
aqui na região uma normalidade – com muitas escolas fechadas, encerradas
ou escolas só com um ou dois colegas”, afirmou o líder da Federação
Nacional dos Professores (Fenprof), no segundo dia da paralisação de
docentes.Mário
Nogueira disse que os dados entretanto recolhidos pelas estruturas
sindicais apontam para um “pré-escolar e primeiro ciclo com grande
adesão” e, na cidade de Faro, há escolas a mais de 70%, como na Joaquim
de Magalhães e na Santo António.Há
outros estabelecimentos de ensino onde os números da greve se
“aproximam dessas percentagens” e “mais de metade dos professores
aderiram” à paralisação, adiantou Mário Nogueira, exemplificando este
caso com o agrupamento João de Deus ou da escola Afonso III. “Já
tínhamos dito que a greve pudesse vir a aumentar de adesão no segundo
dia e pensamos que, à medida que os dias passarão, aumentará mais,
porque os esclarecimentos começam a chegar às escolas”, considerou Mário
Nogueira.O
dirigente da Fenprof comentou também o primeiro dia de greve, em Lisboa,
Santarém, Setúbal e Madeira, afirmando ter havido os “dois extremos” de
participação – escolas com níveis de adesão altos e outras com baixos –
e justificou essa situação com uma reunião com o Governo que terminou
tarde, na véspera, e que houve professores a pensar que “haveria
suficientes compromissos do Governo que teriam levado à desmarcação da
greve, o que não foi verdade”.Mário Nogueira reafirmou que a Fenprof não pode pactuar com o “apagão” no tempo de serviço e que o tema é inegociável.“Na
região autónoma Madeira está garantido que todo o tempo de serviço dos
professores, nos Açores já começou a contagem com os primeiros dois
anos, quatro meses e dois dias, na administração pública esse tempo em
geral já foi considerado, os professores do continente, provavelmente
filhos de um deus menor ou porque têm um número maior, o tempo é para
apagar em mais de 70%”, criticou.O
secretário-geral da Fenprof garantiu que “o tempo de serviço é para
contar”, embora manifestando a disponibilidade da estrutura sindical
para negociar a forma como essa contagem é feita.“Nós
negociamos o ritmo da contagem, os tempos da contagem, os prazos para
estar a recuperação toda feita, nós negociamos tudo”, afirmou.Após
as declarações aos jornalistas em Faro, Mário Nogueira desloca-se para
Évora, onde espera fazer um balanço com números mais rigorosos da adesão
ao segundo dia de greve.A
greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que
assinaram a declaração de compromisso com o Governo, entre as quais as
duas federações - Federação Nacional de Educação (FNE) e Federação
Nacional dos Professores (Fenprof) - e oito organizações mais pequenas.A
greve arrancou na terça-feira nos distritos de Lisboa, Setúbal e
Santarém e na região autónoma da Madeira e hoje concentra-se na região
sul (Évora, Portalegre, Beja e Faro) e no dia 15 na região centro
(Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco).A
paralisação termina sexta-feira na região norte (Porto, Braga, Viana do
Castelo, Vila Real e Bragança) e na região autónoma dos Açores.